quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dupla em Bermuda



Para muitos velejadores Bermuda é um “pit stop” para quem atravessa o oceano Atlântico em direção a Europa. Para outros, é um lugar que envolve o misterioso Triângulo das Bermudas. Para mim, há cinco meses atrás, antes de planejar esta viagem, eu não sabia ao certo da existência desta ilha, imaginava um lugar desabitado, e quando comecei a pesquisar sobre ela, descobri que poderia ser uma grande surpresa. E foi!
Para nossa surpresa é considerado um dos países mais rico per capta, sua renda vem basicamente dos grandes negócios bancários, e também do turismo, recebem cerca de um navio de cruzeiro por dia. Saint Georges, a cidade mais antiga de Bermuda é considerada patrimônio da humanidade!
As cidades parecem cenários de filmes, com teatros a céu aberto que contam como a ilha foi descoberta e colonizada. Caminhando nas ruas, você sente que voltou no tempo, a arquitetura é muito original e a beleza natural realmente surpreende. A população é extremamente amigável, todos querem saber sua história. Estava caminhando pela ruas de Saint Georges e um senhor foi logo perguntando de onde eu vinha, contei para ele todo nosso trajeto e nossa vida a bordo...”estamos vindo desde de Cuba, passamos por Flórida, Bahamas e aqui estamos em Bermuda”, eu disse. Ele falou...”então você fez todo o Triângulo”!!!
Antes de eu começar a velejar, eu já tinha ouvido falar no tal misterioso Triângulo das Bermudas, via documentários na TV e claro dava um certo medo, pensava comigo mesmo...”nunca irei passar por esses lugares”. Depois que comecei a velejar, caí na real que eu poderia mesmo algum dia passar por ele, a partir de então comecei a ignorá-lo, não queria saber detalhes sobre ele. Foi quando, início deste ano, me deparei com a realidade: irei fazer todo o Triângulo! O que antes era uma remota possibilidade, virou cena real.
Então comecei a ler depoimentos na internet de pessoas que cruzaram o Triângulo, comecei a acreditar que essa história não tinha fundamentos científicos, eram fatos que ocorrem em toda parte do mundo, mas que estavam sendo exaltados pelo simples fato de ter ocorrido no Triângulo, e que a tempos atrás a tecnologia de equipamentos de segurança não eram tão eficazes como os de hoje. Respeito os que acreditam, pois eles devem ter suas razões...mas esta foi a forma de eu enfrentar o medo, preferi acreditar que não aconteceria nada conosco. Ainda bem que foram boas as surpresas!!!
Bermuda realmente além de ter sido um perfeito “pit stop”, pois o Cameron e o Mané puderam concertar definitivamente o Water Maker e também polir o casco do veleiro, foi uma experiência muito boa, um lugar que encantou aos olhos.
Obs: Moral da história: Nunca diga nunca. Hehehe.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Travessia de Fort Lauderdale a Bermuda


Nada mal!!! Sempre acima de 160NM por dia... Velejada fantástica...
Os detalhes estão no Post da Rafinha abaixo... Diário de bordo...
Próxima etapa: Bermuda a Açores, mais 1800NM para o Log Book!!!
Obrigado meu Deus!!!

domingo, 9 de maio de 2010

Diario de Bordo da travessia entre Fort Lauderdale e Bermuda

Este Diário foi escrito de uma maneira resumida para vocês entenderem um pouco como é nosso dia-dia no oceano.

02/maio/2010 – Deixamos a marina Play Boy em Fort Lauderdale às 10 h, tudo estava funcionando perfeitamente, já era hora de zarpar. Abastecemos com diesel numa marina ao lado e começamos a descer os canais que ligam a cidade com o mar. Os canais eram perfeitas avenidas, onde passavam navios de containers, navios de cruzeiros, navios da marinha, lanchas de pesca, e veleiros. O sol estava brilhando, colocamos música para animar a partida e para nossa surpresa apareceram golfinhos à nossa proa, melhor assim, os golfinhos são nossa companhia no mar.
Começamos a içar vela, eu no timão e Mané e Cameron na vela grande, iniciamos nossa saída do canal e as ondas do marzão já eram grandes, vento moderado de SO.
Durante toda a tarde foi tempo para relaxar e curtir, chegando a noite o Cameron preparou uma pasta ao pesto.
Iniciei meu turno às 20:30h, vento brando, céu estralado e um navio no horizonte. Já estávamos aos arredores dos arrecifes de Bahamas, que é composta por inúmeras ilhas e entre elas bancadas rasas de areia e coral. Mantínhamos, por segurança, umas 5 milhas da grande bancada, pensei comigo o que fazia um navio ali em lugares supostamente rasos para um navio, na verdade estávamos numa esquina...é...mar também tem esquina!
Monitorando o navio no radar percebi que ele vinha na nossa rota, acordei o Mané para ele me ajudar a safarmos. Safos, fiquei monitoando o quanto de distância mantínhamos dos arrecifes, o vento era SO, e quando virou mais pra Sul, aproveitei para ganhar ângulo e tentar contornar a bancada rasa. Faltava mais 10 horas pra chegarmos em nosso destino: Walkers Cay em Bahamas.
Entreguei meu turno para o Mané às 00:30h, a condição da velejada estava perfeita e fui dormir na cama de proa.



03/maio/2010 – Acordei 7h e com o vento mais forte em torno de 20 nós, já estávamos chegando em Walkers Cay. Eu e Mané fomos cada um para uma borda do veleiro ajudar na visualização das possíveis pedras que poderiam atingir o veleiro, e procurando caminhos mais fundos em meio a bancadas rasas de areia e mar azul piscina, chegamos a uma ancoragem que mais parecia uma miragem, de tão maravilhoso que era!
Tinha uma praia a nossa frente, eu e Mane pegamos uma bóia e nadamos até ela, aproveitamos toda tarde naquele paraíso, encontramos jogado na areia um computador e apelidamos aquele lugar de “Bahamas Internet Paradise” .
Já era final de tarde, hora de voltar para o barco, durante a exploração na Ilha Perdida, tinha feito um corte na parte inferior do dedo do meu pé, pensei que nadando durante a volta, algum tubarão pudesse sentir o cheiro do meu sangue, foi engraçado...eu e Mané nadando bem rapidinho de olhos na superfície da água pra ver se nenhuma barbatana de tubarão viesse a nossa direção. Ufa! Salvos...chegamos no veleiro e o Cameron estava intretido com o Water Maker, que é um sistema de filtro que transforma a água salgada do mar em água potável. O Water Maker não estava funcionando 100% e ficamos um pouco preocupados, pois para uma travessia longa, seria um componente importante para o nosso reabastecimento de água.
Fizemos uma janta Mexicana, limpei meu machucado, e fomos dormir.




04/maio/2010 – Acordamos naquele paraíso, tomamos café no deck e depois de curtir um pouco o visual, o Mané e o Cameron foram trabalhar no Water Maker, depois de 2 horas já estava funcionando, mas ainda precisara checá-lo melhor em Bermudas. Vimos a previsão de tempo e teria uma janela de bom tempo para navegarmos até Bermuda, nos levaria uns 5 dias velejando, então decidimos zarpar hoje mesmo, fiz uma limpeza na cozinha, organizamos tudo para nossa partida. Deixamos Bahamas às 14:00h, novamente a saída dos arrecifes foi um pouco tensa, a cada segundo sempre de olho no ecobatímetro, que nos dá a profundidade, e aos poucos íamos deixando mais um paraíso, o sol estava intenso, calor e vento de través em torno de 14 NÓS, mar liso e proa em direção a Bermuda, 57º no piloto automático.
Durante toda a tarde foi tranqüila, lemos livros, dormimos e batemos papo. Iniciei meu turno como sempre 20:30h, noite estrelada, vento constante SO e navio a meu bombordo em direção a nossa proa, orçei afim de safar o navio, o vento aumentou para 17 NÓS e andávamos a 9 NÓS com a corrente a nosso favor.
Entreguei meu turno para o Mané às 00:30h e fui dormir na proa.


05/maio/2010 – Estávamos dormindo tranquilamente eu Mané, quando Cameron, que estava eu seu turno, nos chamou às 7h. Um Mahi Mahi (o nosso Dourado no brasil) tinha fisgado a isca do molinete, corremos até o deck pra garantir o rango. O peixe era incrivelmente grande e lindo, a pescaria foi um sucesso, agora teríamos que comê-lo primeiramente antes de jogar novamente isca na água. Sushi, ou muqueca ou simplesmente amanteigado com alcaparras seria nosso cardápio por alguns dias!!!
Vento brando e constante, completamos as primeiras 24 horas velejando percorrendo uma distância de 175 milhas, nossa distância entre Bahamas e Bermuda eram 780 milhas.
Tomei banho e fui para o deck pegar sol, comendo uma maça bem gelada, nestas horas eu percebia que velejar torna as pequenas coisas em grandes prazeres, como por exemplo curtir o sol no deck comendo uma maçã bem gelada.
Para o almoço Mané preparou uma muqueca de Mahi Mahi deliciosa, dormi um pouco depois de comer e acordei quando o vento diminuiu para 8 NÓS. Ligamos o motor e ficamos no deck conversando, fazendo e planos futuros, vimos um golfinho pulando na nossa proa!
O mar estava tranquilo, resolvemos assistir um filme, o Batman, as caixas do home theather bombavam com os efeitos sonoros do filme, o barco todo vibrava, cheguei até a pensar que a barulheira poderia acordar os peixes, ou os misteriosos animais marinhos que habitam as profundezas do oceano...como a nossa mente pode ser tão lúcida e tão criativa ao mesmo tempo!
Iniciei meu turno às 21h, o vento era constante e a noite estava absurdamente escura, sem estrelas, não se via um palmo a frente , nem navios apareceram, nem aviões. De repente o vento virou drasticamente, as velas começaram a bater, corri para o leme e o Mané e o Cameron que ouviram as velas batendo, já estavam de pé ao meu lado. Não tinha sido o vento que mudara e sim o barco que rodopiou, sem nenhuma explicação, a não ser a explicação de que o piloto automático ficara maluco durante um segundo. Com tudo sobre controle, continuei meu turno e as estrelas apareceram...ufa, agora eu tinha companhia.



06/maio/2010 – Acordei 7h, vento calmo, mar liso e céu com um pouco de nuvens. Preparei banana frita com torradas e café com leite, o Mané acordou em seguida, acho que foi com o cheiro da banana fritando!
Ficamos conversando e curtindo a velejada, lemos livros (Vendedor de Sonhos, muito bom este livro).
O Cameron acordou e começamos a conversar, o assunto era o alto índice de natalidade no mundo, tudo começou porque ele estava lendo um livro de defendia a idéia que os seres humanos tem que parar de ter filhos e resolveu nos ler um trecho, então começou a debater a questão, o debate foi polêmico, cada um com suas idéias, terminamos a conversa com um Mahi Mahi no forno e rindo bastante.
A condição de conforto dentro do barco estava perfeita. Vento SO em torno de 15 NÓS e mar liso. Assistimos uns 3 filmes e iniciei meu turno que foi bem tranqüilo e com a visita de 3 navios que passaram bem longe da nossa rota.

07/maio/2010 – Acordamos juntos eu e Mané às 7h, ele já estava se acostumando com o horário do seu turno, que era o mais complicado pois era o horário do meio, suas horas de sono eram picadas. O meu era o melhor, podia dormir durante 7 horas direto.
O vento diminuiu de intensidade mas o sol continuava brilhando, recebemos a visita de um passarinho que parecia estar exausto de tanto voar pelo mar, pousou no nosso deck e ficou horas descansando. Fui no deck da proa curtir o vento e vi uma tartaruga.
O almoço foi macarronada, o vento continuava fraco, então decidimos colocar a vela balão pra tentar ganhar mais velocidade. A idéia era chegar domingo de manhã, pois a previsão dizia que uma frente fria do norte estava chegando. Colocamos a balão que é uma terceira opção de vela usada somente quando o vento vem da popa e que ajuda o barco a andar mais rápido. O vento tinha mudado de direção, mais ainda continuava fraco. Não adiantou muito então voltamos a ligar o motor.
Velejar também é um exercício de paciência e de “aquietação” da mente. Não fazer nada é um processo físico e mental que treina o nosso autocontrole. Uma prática difícil nos atuais mundos modernos. Estávamos aqui também treinando a nossa paciência e o nosso autocontrole!
Iniciei meu turno que foi sem dúvida o mais tranqüilo, a noite estava clara e o mar um azeite.

08/maio/2010 – Sábado! Acordamos já na contagem regressiva, a previsão era chegar domingo pela manhã. Fiz uma feijoada daquelas, e passamos praticamente a tarde lendo livros e estudando a entrada na baía de Bermuda.
Iniciei meu turno, o vento tinha aumentado um pouco, desligamos o motor e botamos vela tentando ganhar velocidade.
O Mané ficou comigo em meu turno, ele estava sem sono. Terminei meu turno e não consegui mais dormir, acho que era a ansiedade de chegar, fiquei na cama rolando esperando o dia clarear.


09/maio de 2010 - Eram 5h da manhã acordei fui direto para o deck e vi a ilha. Uau ! Como é bom chegar!...deu tudo certo, estamos aqui, em uma ilha muito distante no meio do oceano Atlântico.
Nos comunicamos por rádio com a alfândega que nos orientou como entrar na ilha. Fomos seguindo em direção a um canal que entrava no meio da cidade em uma grande baía cheia de outros veleiros ancorados, em torno da baía, casinhas coloridas com telhados brancos, um charme...água azul clarinha, um mundo totalmente novo para nós.
Fizemos a entrada no país, ancoramos em um local seguro e fomos conhecer Bermuda. Uma ilha de colonização inglesa, com arquitetura típica, bem estruturada e cheia de turistas. A cidade nos encantava a cada ruela, a cada esquina...




domingo, 2 de maio de 2010

Finalmente chegou a hora de Zarpar!!!


Ola Pessoal

Estaremos zarpando daqui a algumas horas em direcao a Walkers Cay no norte das Bahamas (180NM), aonde deveremos passar uns 2 dias descansando para seguirmos para Bermuda (800NM) e posteriormente ao Arquipelago dos Acores (1700NM) e Gibraltar (1100NM).
Nossa estadia em Fort Lauderdale acabou sendo bem mais longa que imaginavamos, por conta de sucessivos problemas, principalmente no sistema de refrigeracao do barco.
Ontem finalizamos os ultimos detalhes e estamos 100% prontos para iniciar a travessia do Oceano Atlantico.
A previsao do tempo esta favoravel para nosso deslocamento durante toda esta semana, estamos tambem monitorando a localizacao exata da Corrente do Golfo para ganharmos um "empurraozinho" a mais. Estamos super abastecidos de comida, o moral esta alto, o barco limpo... Chegou a hora!!!
Estaremos mandando a nossa posicao diariamente atraves do Spot, sempre na hora em que o sol toca o mar no fim de tarde, para que possam acompanhar nosso andamento, pois estaremos sem acesso a Internet. Estamos tendo alguma dificuldade com o mapa do Spot no nosso Blog, mas deveremos (leia-se Gustavo do www.surf4ever.com.br) encontrar a solucao em breve.
Um grande abraco a todos e muito obrigado pelo apoio moral e torcida pelo sucesso de nossa travessia.

Manuel e Rafaela

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Dupla nos EUA



MIAMI E "BRAZILIAN DAY" / ORLANDO (UNIVERSAL STUDIOS)

Obs: post atualizado em 12/05 pelo suporte do blog da Duplaventura.

domingo, 18 de abril de 2010

Cuba para Florida

Estamos em Fort Lauderdale, conseguimos o visto por Cuba.

Tudo tranquilo ate agora, estamos com o barco na terra fazendo os ajustes finais para a travessia.

A lista de coisas a fazer ta bem grande, mas aqui as coisas realmente funcionam.

Para terem uma ideia, no Panama levamos 5 dias para tirar o barco da agua, aqui, em 4 dias estamos com 80% dos trabalhos andando. Os caras tem equipamento para tudo. Ai no Brasil eu levava 3 dias para lixar o fundo de um 27 pes com minhas ferramentas, aqui levei um dia para lixar o 65, sem poeira nenhuma.

Cuba foi muito bacana, valeu muito a pena. Conhecemos varias pessoas, podendo entender um pouco tudo que o sistema fez e faz na vida deles, para o bem e para o mal.

Tivemos uma velejada bem dura para fazer a volta na Ilha, pois estavamos no lado sul da Ilha, em Cienfuegos, uma cidade muito simpatica e tinhamos que ir ate Havana para os vistos.

Entre a Ilha e o Mexico existe o Canal de Yucatan, aonde a corrente do golfo e afunilada e a coisa pega. Tinhamos 3 nos de corrente favoravel e 30 a 38 nos de vento contra, o que fez as ondas crescerem e ficarem bem verticais. Levamos 48 horas nesta condicao, extremamente desconfortavel. Em varios momentos o barco era totalmente lavado pelas ondas, estilo submarino. Normal para barcos menores mas quando esta num animal deste tamanho, a coisa e diferente. Incrivel o quanto este veleiro e seguro. Se fosse outro veleiro, menor, a coisa ficaria feia. Para terem uma ideia, a condicao era bem pior do que a que pegamos com o Taura subindo de Rio Grande a Floripa, mas estavamos sempre secos e tirando o desconforto e o som das porradas do barco nas ondas, foi uma excelente experiencia.

Em Havana tudo correu bem, nao conseguimos o visto de turistas padrao, mas vai ser tranquilo para tirar quando chegarmos ao Brasil.

Saindo de Cuba, no meio da primeira noite, a 60 milhas da costa, meio caminho para as Florida Keys uma mangueira do sistema de refrigeracao do motor se soltou, fez o motor superaquecer e derreteu outra mangueira.

Quando chegamos na casa de maquinas era fumaca por tudo e bastante agua entrando, nada muito agradavel de se ver.

Trabalhamos bem e em menos de 40 longos e exaustivos minutos tudo estava consertado. To abismado o quanto aquele curso de mecanica funcionou. Encontramos as solucoes rapidamente, e com algumas adaptacoes colocamos o motor a 75% da capacidade sem misterios. Levamos mais 48 horas e chegamos nas Bahamas, Cat Key, um lugar maravilhoso, ilha particular, coisa de cinema. Fomos para la porque o Cameron tava com medo de ser preso porque os americanos nao podem ir a Cuba, se chama Dealing with the Enemy, negociando com o inimigo, e com o ultimo porto sendo Bahamas tudo ficaria mais tranquilo. o Pit Stop saiu 450 dolares para o Boss, mas aproveitamos para comer uma Pizza de frutos do mar com Lagosta e tudo mais por 24 dolares, o mesmo preco de uma frango catupiry na Paparella.

Depois foi uma velejada do caraio de la ate aqui, 60 milhas em menos de 6 horas, com o barco voando, sempre acima dos 10 nos em perseguicao a outro veleiro que saiu quase 2 horas antes. Levamos na mao o tempo todo pelo prazer de velejar. Um espetaculo, consegui botar 12,8 nos no animal, sensacao indescritivel, nao so alcancamos como ultrapasssamos o outro veleiro.

De resto ta tudo certinho.

Comprei um Spot, aquele aparelho que nos deixou na mao na travessia do Pacifico porque nao tinha cobertura por la, mas no Atlantico eles garantem 99% de confiabilidade, entao estaremos mandando nossa posicao atualizada diariamente. So nao precisam se preocupar se nao receberem nenhuma noticia pelo SPOT, que se algo acontecer temos o telefone via Satelite e o EPIRB para fazer pedido de resgate. Comprei o equipamento mais para somar no Blog e permitir a voces acompanharem nosso deslocamento diario, mas acredito que teremos cobertura direto para o SPOT. para saber mais acessem www.findmespot.com

Hoje vamos tentar ir no Brazilian Day em Miami, e se tudo correr bem, na semana que vem vamos para a Disney ou algum parque destes.

Projetos em andamento: Revisao da Balsa de Salvatagem, troca de mangueiras e rotor do motor, revisao do Turbo, troca de filtros de oleo do motor e gerador, revisao do Watermaker, troca de alguns componentes das geladeiras e freezers, pintura de fundo, conserto em uma das pas do helice, troca de dois pistoes das gaiutas da Lanzarete, compra de pirotecnicos, organizacao da Bolsa de Abandono, compra do Spot, cadastramento da viagem na central do EPIRB, troca do automatico da bomba de porao da lanzarete, revisao geral no estaiamento, troca dos anodos de sacrificio, revisao no sistema do Leme, compra de alimentos, limpeza geral.

Espero que estejam todos bem, ja estamos com bastante saudade.

Manda um beijo para a turma

Mane e Rafa

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Cuba




Não demorou muito e já estamos outra vez en El Mundo!
Mais uma vez fomos convidados para fazer parte da tripulação de nosso amigo capitão Havaiano, não pudemos deixar de aceitar depois de ele nos passar qual seria o roteiro.
Cuba !! É nosso ponto de partida. Não foi fácil chegar...surpresas em aeroportos quase nos fizeram acreditar que não pousaríamos em Havana Libre, mas em se tratando que existe o “jeitinho brasileiro”, é claro que deu tudo certo e logo na chegada os cubanos queriam saber sobre a tal novela brasileira “La Favorita”, quien es la mala e quien es la buena??? Incrível...as nossas novelas estão se tornando mais famosas que nossas partidas de futebol !!!
Ainda no aeroporto fomos recebidos por nosso amigo capitão que já estava nervoso por nosso atraso...finalmente nos reencontramos depois de quase seis meses. Estava também um amigo do capitão, cubano ex general, que fez a gentileza de nos levar em seu carro até a Província de CienFuegos onde se encontrava nosso veleiro. Foi uma viagem de três horas até chegar na marina, horas estas que foram preenchidas pelas histórias vividas por este ex general que lutou ombro a ombro com Fidel Castro e Che Guevara nos permitindo imaginar um pouco como é viver para um e em um país comunista.
Muito me impressionou a gentileza dos cubanos, um povo muito amigável e divertido. Caminhando nas ruas me sentia como se estivesse numa exposição de carros antigos, coloridos e conservados, e só para inovar...optamos por uma tradicional carroça para conhecer a cidade e fazer as compras. Mergulhamos totalmente no dia a dia dos cubanos, para poder comprar alimentos, tínhamos que ir em casas de famílias onde uns vendiam os ovos, outros o queijo, outros o pão, tudo de uma maneira bem discreta e pouco natural...como se estivéssemos fazendo algo de errado.
Claro que não estávamos sendo turistas, mas era nossa opção.
Depois de conhecermos outros pontos turísticos e também pegar uma noitada com mojitos, deixamos CienFuegos, agora velejando para CayoLargo...um pedaço do paraíso no Caribe!!!
Foram dois dias inseridos num azul piscina que só de olhar já matava a cede...fizemos amizade com outros velejadores que também estavam ancorados na baía de CayoLargo. A festa foi na praia com direito a fogueira e muita conversa digamos que internacional.
Depois de dois dias relaxando, deixamos a piscina natural e pegamos um marzinho brabo que nos levou três dias velejando até contornar a metade da ilha e chegar em Havana. Tínhamos que pegar o visto para os EUA, já que é a Flórida, que está a pouco menos de um dia velejando de Havana, o bom lugar para fazer a manutenção do barco e também comprar os mantimentos.
Enquanto aguardamos a resposta do consulado para a aprovação de nosso visto vamos seguindo aqui em Havana, nos divertindo e conhecendo ainda mais este país que vale a pena cada centavo de peso. E por falar em Cuba, amanhã iremos ao concerto do Buena Vista Social Clube...não podíamos perder o melhor de tudo isto !!!

Abraco a todos
Rafa e Mane.

escrito por Rafinha.