sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Dupla nos EUA



MIAMI E "BRAZILIAN DAY" / ORLANDO (UNIVERSAL STUDIOS)

Obs: post atualizado em 12/05 pelo suporte do blog da Duplaventura.

domingo, 18 de abril de 2010

Cuba para Florida

Estamos em Fort Lauderdale, conseguimos o visto por Cuba.

Tudo tranquilo ate agora, estamos com o barco na terra fazendo os ajustes finais para a travessia.

A lista de coisas a fazer ta bem grande, mas aqui as coisas realmente funcionam.

Para terem uma ideia, no Panama levamos 5 dias para tirar o barco da agua, aqui, em 4 dias estamos com 80% dos trabalhos andando. Os caras tem equipamento para tudo. Ai no Brasil eu levava 3 dias para lixar o fundo de um 27 pes com minhas ferramentas, aqui levei um dia para lixar o 65, sem poeira nenhuma.

Cuba foi muito bacana, valeu muito a pena. Conhecemos varias pessoas, podendo entender um pouco tudo que o sistema fez e faz na vida deles, para o bem e para o mal.

Tivemos uma velejada bem dura para fazer a volta na Ilha, pois estavamos no lado sul da Ilha, em Cienfuegos, uma cidade muito simpatica e tinhamos que ir ate Havana para os vistos.

Entre a Ilha e o Mexico existe o Canal de Yucatan, aonde a corrente do golfo e afunilada e a coisa pega. Tinhamos 3 nos de corrente favoravel e 30 a 38 nos de vento contra, o que fez as ondas crescerem e ficarem bem verticais. Levamos 48 horas nesta condicao, extremamente desconfortavel. Em varios momentos o barco era totalmente lavado pelas ondas, estilo submarino. Normal para barcos menores mas quando esta num animal deste tamanho, a coisa e diferente. Incrivel o quanto este veleiro e seguro. Se fosse outro veleiro, menor, a coisa ficaria feia. Para terem uma ideia, a condicao era bem pior do que a que pegamos com o Taura subindo de Rio Grande a Floripa, mas estavamos sempre secos e tirando o desconforto e o som das porradas do barco nas ondas, foi uma excelente experiencia.

Em Havana tudo correu bem, nao conseguimos o visto de turistas padrao, mas vai ser tranquilo para tirar quando chegarmos ao Brasil.

Saindo de Cuba, no meio da primeira noite, a 60 milhas da costa, meio caminho para as Florida Keys uma mangueira do sistema de refrigeracao do motor se soltou, fez o motor superaquecer e derreteu outra mangueira.

Quando chegamos na casa de maquinas era fumaca por tudo e bastante agua entrando, nada muito agradavel de se ver.

Trabalhamos bem e em menos de 40 longos e exaustivos minutos tudo estava consertado. To abismado o quanto aquele curso de mecanica funcionou. Encontramos as solucoes rapidamente, e com algumas adaptacoes colocamos o motor a 75% da capacidade sem misterios. Levamos mais 48 horas e chegamos nas Bahamas, Cat Key, um lugar maravilhoso, ilha particular, coisa de cinema. Fomos para la porque o Cameron tava com medo de ser preso porque os americanos nao podem ir a Cuba, se chama Dealing with the Enemy, negociando com o inimigo, e com o ultimo porto sendo Bahamas tudo ficaria mais tranquilo. o Pit Stop saiu 450 dolares para o Boss, mas aproveitamos para comer uma Pizza de frutos do mar com Lagosta e tudo mais por 24 dolares, o mesmo preco de uma frango catupiry na Paparella.

Depois foi uma velejada do caraio de la ate aqui, 60 milhas em menos de 6 horas, com o barco voando, sempre acima dos 10 nos em perseguicao a outro veleiro que saiu quase 2 horas antes. Levamos na mao o tempo todo pelo prazer de velejar. Um espetaculo, consegui botar 12,8 nos no animal, sensacao indescritivel, nao so alcancamos como ultrapasssamos o outro veleiro.

De resto ta tudo certinho.

Comprei um Spot, aquele aparelho que nos deixou na mao na travessia do Pacifico porque nao tinha cobertura por la, mas no Atlantico eles garantem 99% de confiabilidade, entao estaremos mandando nossa posicao atualizada diariamente. So nao precisam se preocupar se nao receberem nenhuma noticia pelo SPOT, que se algo acontecer temos o telefone via Satelite e o EPIRB para fazer pedido de resgate. Comprei o equipamento mais para somar no Blog e permitir a voces acompanharem nosso deslocamento diario, mas acredito que teremos cobertura direto para o SPOT. para saber mais acessem www.findmespot.com

Hoje vamos tentar ir no Brazilian Day em Miami, e se tudo correr bem, na semana que vem vamos para a Disney ou algum parque destes.

Projetos em andamento: Revisao da Balsa de Salvatagem, troca de mangueiras e rotor do motor, revisao do Turbo, troca de filtros de oleo do motor e gerador, revisao do Watermaker, troca de alguns componentes das geladeiras e freezers, pintura de fundo, conserto em uma das pas do helice, troca de dois pistoes das gaiutas da Lanzarete, compra de pirotecnicos, organizacao da Bolsa de Abandono, compra do Spot, cadastramento da viagem na central do EPIRB, troca do automatico da bomba de porao da lanzarete, revisao geral no estaiamento, troca dos anodos de sacrificio, revisao no sistema do Leme, compra de alimentos, limpeza geral.

Espero que estejam todos bem, ja estamos com bastante saudade.

Manda um beijo para a turma

Mane e Rafa

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Cuba




Não demorou muito e já estamos outra vez en El Mundo!
Mais uma vez fomos convidados para fazer parte da tripulação de nosso amigo capitão Havaiano, não pudemos deixar de aceitar depois de ele nos passar qual seria o roteiro.
Cuba !! É nosso ponto de partida. Não foi fácil chegar...surpresas em aeroportos quase nos fizeram acreditar que não pousaríamos em Havana Libre, mas em se tratando que existe o “jeitinho brasileiro”, é claro que deu tudo certo e logo na chegada os cubanos queriam saber sobre a tal novela brasileira “La Favorita”, quien es la mala e quien es la buena??? Incrível...as nossas novelas estão se tornando mais famosas que nossas partidas de futebol !!!
Ainda no aeroporto fomos recebidos por nosso amigo capitão que já estava nervoso por nosso atraso...finalmente nos reencontramos depois de quase seis meses. Estava também um amigo do capitão, cubano ex general, que fez a gentileza de nos levar em seu carro até a Província de CienFuegos onde se encontrava nosso veleiro. Foi uma viagem de três horas até chegar na marina, horas estas que foram preenchidas pelas histórias vividas por este ex general que lutou ombro a ombro com Fidel Castro e Che Guevara nos permitindo imaginar um pouco como é viver para um e em um país comunista.
Muito me impressionou a gentileza dos cubanos, um povo muito amigável e divertido. Caminhando nas ruas me sentia como se estivesse numa exposição de carros antigos, coloridos e conservados, e só para inovar...optamos por uma tradicional carroça para conhecer a cidade e fazer as compras. Mergulhamos totalmente no dia a dia dos cubanos, para poder comprar alimentos, tínhamos que ir em casas de famílias onde uns vendiam os ovos, outros o queijo, outros o pão, tudo de uma maneira bem discreta e pouco natural...como se estivéssemos fazendo algo de errado.
Claro que não estávamos sendo turistas, mas era nossa opção.
Depois de conhecermos outros pontos turísticos e também pegar uma noitada com mojitos, deixamos CienFuegos, agora velejando para CayoLargo...um pedaço do paraíso no Caribe!!!
Foram dois dias inseridos num azul piscina que só de olhar já matava a cede...fizemos amizade com outros velejadores que também estavam ancorados na baía de CayoLargo. A festa foi na praia com direito a fogueira e muita conversa digamos que internacional.
Depois de dois dias relaxando, deixamos a piscina natural e pegamos um marzinho brabo que nos levou três dias velejando até contornar a metade da ilha e chegar em Havana. Tínhamos que pegar o visto para os EUA, já que é a Flórida, que está a pouco menos de um dia velejando de Havana, o bom lugar para fazer a manutenção do barco e também comprar os mantimentos.
Enquanto aguardamos a resposta do consulado para a aprovação de nosso visto vamos seguindo aqui em Havana, nos divertindo e conhecendo ainda mais este país que vale a pena cada centavo de peso. E por falar em Cuba, amanhã iremos ao concerto do Buena Vista Social Clube...não podíamos perder o melhor de tudo isto !!!

Abraco a todos
Rafa e Mane.

escrito por Rafinha.






terça-feira, 16 de março de 2010

Programação da Barca 2010




Mais uma vez, pedimos desculpas pela demora em novas postagens.
A quase dois meses definimos a nossa programação de viagem para o ano de 2010, mas não gostamos de divulgar o incerto.
Agora, com as passagens compradas, vistos na mão, etc, podemos ter a certeza de que realmente as coisas vão acontecer.
Estaremos embarcando no próximo dia 29 de março com destino a Cuba!!!
Cuba??? Sim, Cuba!!!
O Cameron já está lá, com o Veleiro, o mesmo que viajamos no ano passado, nos esperando para mais uma Missão.
A Missão deste ano é levar o Veleiro de Cuba até a Europa, cruzando o Oceano Atlântico via Arquipélago dos Açores.
Vamos sair de Cuba em direção a Turks and Caicos (que diz a lenda tem alguns dos melhores pontos de mergulho do mundo), depois proa para Bahamas, Bermuda, Açores e Portugal.
Certamente será uma experiência marcante mais uma vez, especialmente por voltarmos a longas travessias (ano passado a mais longa teve 700 milhas) e por estarmos velejando no Atlântico Norte.
Por aqui, a contagem regressiva está chegando ao final, quase já estamos sentindo o "gelo na barriga" da partida, e a anciosidade é grande em voltar para a "estrada".
A todos os que acompanharam nossas aventuras passadas e aos que estão conhecendo o Blog agora, fica nosso agradecimento pela atenção, e o convite a nos acompanharem em mais uma jornada.
Abraço a todos
Manuel e Rafaela

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Reiniciando a contagem regressiva



Depois de um longo período em casa, em Floripa, trabalhando na Escola de Surf, reencontrando os alunos antigos e conhecendo novos, finalmente chegou a hora de programar a Barca 2010 da Duplaventura...
Para este ano muitas mudanças... a primeira será a área que iremos explorar. Deixaremos a costa do Pacífico esperando nosso regresso, e iremos explorar neste ano o Oceano Atlântico.
Algumas coisas permanecerão inalteradas. Continuaremos a bordo do mesmo Veleiro do ano passado, continuaremos com a mesma tripulação, mas estaremos conhecendo lugares que nenhum de nós (Mané, Rafa e Cameron) esteve antes. Certamente será uma Barca marcante para todos nós.
Hoje iniciamos o processo de compra das nossas passagens com a nossa amiga, parceira e apoiadora (que nos últimos dois anos fez milagres para atender nossas constantes mudanças de itinerário), a Cris, da InGlobe Viagens (www.inglobeviagens.com.br), que já está quebrando a cabeça mais uma vez para solucionar nossos problemas.
Gostaríamos de agradecer a todos os que acompanharam nossas Barcas dos últimos anos e convidar a todos a acompanharem mais esta jornada que estamos iniciando.

Em breve estaremos disponibilizando maiores detalhes.

Abraço a todos

Manuel e Rafaela

domingo, 22 de novembro de 2009

De volta pra casa !

Viajar é bom...mas chegar em casa também é bom !!
Vou falar a verdade: faz 2 mêses e meio que chegamos em Floripa, várias vezes tentamos escrever no blog, mas estávamos tão acostumados a contar nossas aventuras ao redor do mundo que de repente não saía nada...dizer que chegamos em Floripa seria dizer que a viagem acabou, então, acho que no fundo não queríamos que a viagem tivesse acabado.
Retomamos nossa vida em terra com novos planos e muitas idéias, sempre programando um futuro que nos possibilite a continuar a viajar/velejar, afinal é o que mais gostamos de fazer.
Estamos felizes demais com esta viagem que nos proporcionou muito aprendizado e que com certeza mudou ainda mais a nossa maneira de ver o mundo e valorizar a vida.
Gostaríamos de deixar nosso agradecimento e todo carinho aos nossos amigos e familiares que nos acompanharam sempre deixando uma palavra de incentivo, com certeza vocês fizeram parte desta história.
E não é que esta aventura rendeu foto na revista e tudo !!
Confira o casal aventura que saiu na revista Náutica no mês de outubro, nos sentimos orgulhosos em ser reconhecidos por uma revista que representa o mundo náutico no Brasil.

E agora está aberta a temporada de praia na ilha da magia !!!!!!
E de trabalho também.

Beijo a todos,
Rafinha.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

XXI Refeno



O dia amanheceu quente, mesmo querendo dormir um pouco mais para aliviar o cansaço acumulado pelo longo trabalho realizado a bordo nas duas últimas semanas, não conseguíamos mais dormir. Na verdade sofríamos um misto de calor e ansiedade. Finalmente estávamos no dia da largada da XXI Regata Internacional Recife-Noronha, e ainda havia alguns detalhes a serem resolvidos. Tomamos um café da manhã sem pressa, a Rafinha deu uma organizada no interior do VelaMore (um Veleiro Multichine 34 em aço que foi nossa casa por mais de 15 dias até então) e eu e o Durval e fomos à terra com o cabo da âncora para fazer a marcação de seu comprimento.
Algum tempo depois chegaram a Rose e o Jaime, o casal proprietário do VelaMore e nossos maravilhosos anfitriões em Recife, junto com a Gaby. Traziam suas bagagens, e muito gelo que seria necessário para manter nossas bebidas geladas por mais de 300 milhas náuticas do caminho entre o Cabanga Iate Clube e Fernando de Noronha.
Algum tempo depois chegou a Bárbara com mais gelo ainda, finalizando o que seria embarcado e completando nossa tripulação.
Ao meio dia e meio já estávamos nos últimos detalhes, acompanhando um movimento frenético de mais de 60 veleiros saindo pelo estreito canal de meia maré com destino à linha de largada da Regata.
Constantemente nosso trabalho era interrompido por alguma brincadeira, por alguma piada, por algum desejo de boa travessia de algum tripulante de outro veleiro participante, que já eram bem mais que isto, eram amigos, vizinhos, cúmplices de um desejo comum a todos, realizar em segurança a travessia e chegar a um dos locais mais lindos do litoral brasileiro, o Paradisíaco Arquipélago de Fernando de Noronha.
Ume e meia da tarde, já não havia mais o que esperar, a maré continuava subindo, o Velamore já flutuava orgulhoso, soltamos as amarras e iniciamos a nossa jornada.
O Cap. Jaime me passou a responsabilidade de levar o veleiro até a largada, e feliz da vida, fui manobrando o Vela pelo canal, sendo seguido de perto por um Jeanneau 54 do nosso divertido amigo e Skipper José (Zé Caretta), com ambas tripulações descontraindo e pegando no pé uma da outra.
Duas e vinte chegamos ao Pernanbuco Iate Clube, local de espera para a chamada dos grupos de largada. Nosso grupo era o Vermelho, o primeiro e maior grupo a zarpar, então nossa espera seria bastante curta.
Três e quinze, soltamos as amarras da trainerinha que nos mantinha parados em meio à corrente que entrava forte pelo canal, e lentamente fomos seguindo para as bóias de checagem de tripulação pela Comissão de Regata, todos a bordo uniformizados com a camisa dos patrocinadores, dando tchau para a multidão na margem, felizes e ansiosos.
Eu timoneando com atenção para não fazer nenhuma besteira, o Cap. Jaime confirmou nossa tripulação, foi dado o sinal de 4 minutos, estava chegando a hora.
Três minutos, dois, um... tentei nos colocar em uma boa posição para a largada mas a raia já estava cheia, com o comando de voz dei o bordo por trás de um veleiro em Aço gigante,argentino, o Viejo Lobo, a turma toda trabalhou em conjunto, o Durval e o Jaime na Genoa, as meninas na escota da Mestra, acertamos o rumo e lentamente largamos.
Ficamos muito por dentro do canal, na sua parte mais funda e consequentemente com mais corrente contrária, e vimos a turma nos ultrapassando, mas o clima era de confraternização, não de competição. Quando conseguimos espaço orçamos e saímos do canal, ganhando mais velocidade e começando a tirar a diferença entre nossos amigos.
Nos posicionamos na frente dos concorrentes da nossa classe na largada, mas a corrente contrária nos colocou em último, tínhamos que trabalhar sério agora.
Todos a bordo na espectativa, o Cap Jaime,o Durval e eu discutindo alguma estratégia, todos tentando trimar o melhor possível as velas, e fomos tirando a distância.
Eu tentava fazer o melhor possível na Roda de Leme, assim como cada um a bordo em sua função, e estava dando resultado. Saímos do canal do Porto de Recife já bem próximos do Mahi Mahi e tirando a distância que o Minerin tinha aberto na largada.
Finalmente mar aberto, finalmente estávamos velejando no Atântico, e, o mais importante, agora tínhamos mais liberdade para escolher nosso rumo.
Tínhamos que montar uma bóia antes de podermos fazer rumo direto ao arquipélago, e vimos os veleiros maiores dando o bordo com rumo à ela, o que nos pareceu ser um pouco cedo. Decidimos por uma estratégia diferente, iríamos ganhar bastante altura para não fazer uma orça tão fechada rumo à bóia, e fomos o veleiro que mais subiu antes de rumar à bóia.
Vimos o Minerin dar o bordo bem antes, o Mahi Mahi ainda nos acompanhou por mais tempo, mas bordejou também, e nós seguimos por mais quase meia milha antes de cambarmos.
Quando finalmente o fizemos, tínhamos vento de través-alheta, a condição em que nosso veleiro mais anda, e saltamos de 3 para 6 - 6,5 nós, seguindo como um foguete azul para a bóia. Chegamos nela rapidinho, montamos com classe, mais uma vez com todos trabalhando juntos mas sem atropelos e mais uma vez nos juntamos com o pelotão.
Nossa estratégia tinha sido tão bem sucedida que perdemos de vista o Mahi Mahi e o Surazo, o veleiro chileno (segundo deste país a dar uma volta ao mundo) do Luís (primeiro chileno a dobrar o Cabo da Boa Esperança) e seus filhos Nicolas e Sebastián, trio gente finíssima que tinham se tornado grandes amigos durante nossa estadia no Cabanga, e ainda conseguimos colar bastante no Minerin.
Agora era um rumo direto até Noronha, 70 graus na bússula para ganhar alguma altura, atenção no Leme e paciência para aguentar o cotra-vento, a orça bem fechada que seria nosso destino nos próximos dias.
Seguíamos rumo ao paraíso, mas para chegar lá o caminho não seria fácil. Tínhamos vento entre 12 e 15 nós, na cara, mar picado e algumas ondas atravessadas. Lentamente a noite chegou e começamos o revezamento no leme, com cada um tentando sempre fazer o melhor possível, e estávamos andando bem.
Decidimos por turnos duplos, um no Leme e outro na regulagem das velas, duas horas cada turno, 4 de descanso, quem podia ajudava na comida ou ficava junto batendo papo e ajudando o tempo a passar, ajudando a esquecermos do extremo desconforto que é velejar em um ângulo fechado com o vento, que cria um balanço errático, chato mesmo.
No meio da primeira noite nos deparamos com a primeira calmaria, no rádio ouvíamos os veleiros mais a fretne comentando da falta de vento, 2 a 4 nós, deslocamento de um, dois nós, nada parecido com o que todos contávamos, ventos de 15 a 18 nós vindo de leste-sudeste que nos faria andar sempre acima de 5 nós, que nos faria vencer a distância entre 40 e 50 horas. Estava ficando claro a todos que a Regata seria mais demorada.
O dia amanheceu cinza, felizmente encontramos uma nuvem que se por um lado nos deixava molhados com sua chuva fina, por outro nos fornecia o vento que precisávamos para seguirmos em frente. Próximos ao meio dia, mais uma calmaria gigante.
O Cap. Jaime chamou todos ao Cockpit e fez uma breve reunião. Com a velocidade que estávamos mantendo, levaríamos 4 e não dois dias para chegar. Não tínhamos alimento suficiente para tanto tempo, tínhamos comida para mais, mas não alimento. Poderíamos seguir apenas na vela e não morreríamos de fome, mas seria um longo período comendo Miojo de copinho ou poderíamos ligar o motor, ser desclassificados da regata e chegar mais cedo. Decidimos esperar mais uma hora para ver o que aconteceria com o vento. Ele acabou chegando, mais uma vez com pouca intensidade, mas estávamos seguindo ao nosso destino mais uma vez, e ainda tínhamos boas chances de conseguir um lugar no pódium. No fim da tarde mais outra calmaria, esta ainda maior que as anteriores. Não havia mais o que ser feito, tínhamos que ligar o motor para tentarmos chegar, ou levaríamos 5 dias para fazer o percurso estimado em 2.
Com certa tristeza demos adeus à Regata, mas nosso objetivo principal era chegar em Noronha, e era nisto que estávamos focados.
Cerca de uma hora e meia após começarmos a motorar, ouvimos um barulho estranho vindo do motor, desligamos ele e o Jaime foi conferir.
Voltou da casa de máquinas com uma cara triste, chamou todos ao Cockpit para mais uma reunião... Era a Buxa do eixo do hélice, tinha se quebrado, não pódíamos mais contar com a ajuda do motor, o vento estava próximo do zero, votamos e por unanimidade decidimos pela precaução. Decidimos voltar para Recife.
Em quase 30 horas tínhamos feito menos de 90 milhas náuticas, quando deveríamos ter feito mais de 140. Era isto, é assim que se deve proceder no mar, a precaução tem sempre que ser a prioridade, e nisto o Cap. Jaime foi exemplar.
Demos o bordo, proa para Recife, o vento já não era mais contra, e mesmo fraco, nos empurrava de volta, acabou-se desconforto físico, mas agora tínhamos que lidar com a postergação do sonho de chegar a Noronha velejando.
Fizemos um feijão quentinho para levantar o astral a bordo, ligamos o piloto automático, a noite surgiu estrelada e lentamente voltamos.
Acabamos chegando ao Pernambuco Iate Clube no meio da tarde seguinte.
Fomos vencidos pela falta de vento e por um problema mecânico que ninguém poderia prever anteriormente.
Talvez se tivéssemos largado por fora do canal teríamos largado melhor.
Talvez se não tivéssemos mantido o rumo leste ao montarmos a bóia tivéssemos encontrado mehores ventos mais afastados da terra.
Talvez se tivéssemos carregado mais o barco com alimentos poderíamos ter esperado o vento entrar.
Talvez...talvez....
Mas a vida não é feita de "Talvez" e de "Se", a vida é feita de FATOS.
Os fatos eram de que o vento não apareceu, a comida era suficiente para nossos planos e fizemos o melhor possível na nossa estratégia.
E não podemos reclamar de tudo que aconteceu.
Fomos recebidos de forma maravilhosa por uma família MARAVILHOSA, a Rose e o Jaime, e as meninas Gabriela e Bárbara.
O Fato é que temos um grande amigo que nos conheceu através do nosso Blog e foi incansável na trimagem das velas, e tem se mostrado uma pessoa maravilhosa em todos os sentidos, o Durval.
O Fato é que fizemos vários amigos, conhecemos pessoas que têm o mesmo sonho que nós, que estão vivedo a mesma vida que nós, e, por incrível que possa parecer, não são poucos e são brasileiros, nascidos em uma terra em que decidir viver no mar é como decidir ser astronauta.
O Fato é que tive a oportunidade de ajudar a montar o veleiro e testar tudo o que aprendemos nos últimos anos, graças a uma incondicional confiança em mim depositada pelo Cap Jaime.
O Fato é que a Rafa fez o turno de igual para igual com os demais e teve mais uma constatação da sua qualidade marinheira.
E, principalmente, de que Noronha continuará lá, bem como as amizades que fizemos continuarão vivas, continuaremos nos corações daqueles que cativamos, e levaremos nossos corações ainda mais carregados de pessoas que nos cativaram.
E, continuamos vivos, felizes, apaixonados pela vida, e sedentos por mais aprendizagem e aventura!
É isto que levaremos na lembrança.
Tenho que ir, pois estamos indo a Porto de Galinhas curtir as belezas do nordeste.
Um abraço a todos
Mané e Rafa