quinta-feira, 8 de julho de 2010

Video da Dupla nos Açores - Parte 1



Video sobre a chegada nos Açores, Marina da Horta, Bar do Peter, e nossa passagem pela Ilha de Sao Jorge.

domingo, 4 de julho de 2010

Cruzamos o Estreito de Gibraltar







Depois de enfrentar ventos de mais de 50 nós e ter que ancorar em Tarifa para passar a noite em melhores condiçoes, finalmente chegamos a Gibraltar, do outro lado do Estreito de Gibraltar, aonde começa o Mediterrâneo.
Ventos ainda acima dos 30 nós, mas vamos seguir em frente rumo a Ibiza.
Obrigado a todos que torceram pelo sucesso da nossa aventura.
Manuel e Rafaela

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aventuras nos Açores














Desde a nossa saída de Cuba eu via Açores muito longe, ainda tínhamos que fazer a travessia no Oceano Atlântico, muita água a rolar, eu procurava não pensar muito no futuro, tentava aproveitar cada dia e me fazia sentir que chegar em Açores era um sonho, e agora estávamos na reta final, a um passo de acordar para este sonho que um dia foi distante. O tempo passa rápido para os que vivem intensamente, eu lembro que ainda em Florianópolis eu imaginava...”vamos atravessar o oceano”, para mim era um desafio, eu sabia claramente dos riscos, mas estava disposta a viver esta aventura. Eu já tinha sobrevivido aos 38 dias a bordo quando fizera a travessia do oceano Pacífico, agora seria mais fácil, mesmo assim, o friozinho na barriga batia quando eu via no mapa Mundi que em algum momento estaríamos no meio do nada, num lugar muito distante, e quando eu estive lá me senti um grão de areia no deserto de Saara, e esta experiência faz você ser eternamente grato por simplesmente estar vivo. Todo mundo se pergunta...”porque atravessar o oceano e passar 12 dias dentro de um barco?”... Eu acho que o mundo é tão grande pra ficar parado no mesmo lugar sempre, o que são 12 dias (tempo que passamos entre Bermuda a Acores) de 365 dias do ano? Realmente não é nada, mas suficiente para viver uma experiência que muda a nossa maneira de pensar e valorizar a vida.
Chegar em Horta-Açores foi uma sensação incrível, de conquista e de muita alegria. Quando pisamos em terra fomos direto a um café tomar nosso breakfast , matei minha saudade de comer um misto quente de verdade e comecei a sentir meu corpo cambalear. Caminhamos nas ruas exercitando as pernas e admirando a cidade com suas casinhas açorianas.
Fiquei encantada...andava pra lá e pra cá...curtindo as vielas que davam sempre em outra viela com mais e mais casinhas açorianas.
Eu Mané e Cameron fomos comemorar nossa travessia no Bar do Peter, famoso entre os cruzeiristas, tomando vinho da Ilha do Pico, queijo da Ilha de São Jorge e bolinhos de bacalhau...foi tão bom que resolvemos ir comemorar todos os dias, durante os 5 dias que ficamos em Horta.
Depois de pintarmos nossa marca, da Duplaventura no chão da Marina da Horta, eu e Mané estávamos prontos pra pegar “férias”, saímos do barco e fomos curtir nós dois em Açores, o Cameron ficou no veleiro com os proprietários que haviam chego de avião, e combinamos de nos reencontrar novamente depois de 15 dias na Ilha de São Miguel.
Resolvemos eu e Mané pegar um ferry e ir passar uns dias na Fajã de Santo Cristo na Ilha de São Jorge, a ilha mais rural entre as nove ilhas que compõe o arquipélago. Desde que estávamos na Flórida, ou melhor, desde que nos conhecemos, a vontade do Mané era me levar na Fajã de Santo Cristo, um lugar que ele já estivera em 1998 e dizia ser o lugar mais encantador do planeta...era o sonho dele de retornar lá e de me levar junto, eu só podia me sentir grata e feliz da vida de poder ajudar ele a realizar este sonho!! Não tinha problema...eu me levava pra ele!!!
Saímos de Horta carregados com nossas mochilas, barraca, fogareiro, chuveiro, sacos de dormir, comida, talheres, panelas, lanterna, prancha de surf...uma completa estrutura de camping que compramos na Flórida na loja “Outdoorworld”, uma loja incrível que existe tudo o que se possa imaginar para camping, caça, pesca e esportes radicais, tudo a um preço que não dava pra resistir.
Saímos cedo de Horta e pegamos um ferry que levou uma hora pra chegarmos em São Jorge, eu tava feliz da vida, estava indo acampar de verdade com o amor da minha vida, num lugar que ele dizia ser o seu paraíso!
Da última vez que o Mané esteve na Fajã ele fez a trilha tradicional, a que sai dos Cubres, mas 12 anos se passaram e agora tinha uma nova trilha, pouco tradicional que só descia e que era mais alta. Eu gostei da idéia de só descer, tava parecendo uma tartaruga com a mochila nas costas, não sei se agüentaria a caminhada, descer era mais fácil que subir.
Pegamos um táxi que nos deixou na entrada da trilha do Topo, entre as nuvens, estávamos a 950 metros de altura, tinha uma neblina que não se via cinco metros na frente, encaixamos as mochilas nas costas e começamos lentamente a caminhar, abrimos uma porteira e entramos em outro mundo...o silencio das montanhas retratava ainda mais o canto dos pássaros e o vento que soprava, sabíamos que estávamos bem alto, mais a neblina ainda não deixava agente ver lá embaixo, então íamos seguindo a trilha que era bem aberta e marcada, tentando imaginar o que encontraríamos pela frente. De repente estávamos no meio das montanhas, não batia mais vento, a neblina começou a se dissipar então tivemos a consciência de onde estávamos, me senti da mesma forma que me sentira a uns dias atrás no meio do mar, no meio do nada, agora era no meio de imensos paredões verdes que pareciam nos apreciar...” dois pontinhos insignificantes que ousam me desafiar”, a montanha pensou.
Caminhávamos tranqüilos e devagar apreciando a grandiosidade da natureza, começamos a entrar em áreas de pastagens com vaquinhas e terneiros, de repente um mirador de onde se via o mar, uma ponte, ruínas de casas onde já moraram pessoas, e uma cachoeira...lindo, lindo, lindo...quanto mais descíamos mais coisas íamos encontrando, surpresas por todo o caminho...eu ainda caminhava com energia, ansiosa pra chegar na Fajã, o tal lugar paradisíaco que tanto o Mané me falava.
Último mirador: a Fajã de Santo Cristo! Lá de cima se via uma vila rural de frente para o mar, magnífico. Depois de uma hora e meia caminhando, finalmente chegamos, era outro mundo, um mundo que parecia ter parado no tempo, as casas feitas de pedras e as ruas eram trilhas, parecia Machu Pichu no mar. A montanha subia vertical com diversos tons de verde, tudo parecia mágico. Realmente era maravilhoso!
Procuramos um lugar para acampar, o espaço que o Mané tinha acampado em 1998 não existia mais, muita coisa tinha mudado, mas para mim, aquilo era o original. Fomos então ao lado da Igreja, que era o lugar que dizia na internet que se podia acampar e começamos a montar nossa nova barraca. Estávamos felizes da vida, nossa casa era linda e confortável, fizemos um chá de hortelã colhido no nosso terreno e fomos passear pela vila, caminhamos em volta da caldeira (uma lagoa de água salgada onde de criam as ameijôas).
Voltamos para casa e ventava forte, resolvemos fazer um reforço com uns canos metálicos e pedras na barraca para que ela agüentasse o vento, ainda não era noite e fomos dormir. Acordamos eram uma da manhã com um barulho ensurdecedor do vento que descia com toda força pela montanha e que parecia querer nos arrancar dali, ficamos assustados e resolvemos ver o que acontecia lá fora, uma ventania vinda de todos os lados, colocamos mais um cano metálico agora dentro da barraca para segurar ainda mais, e tudo o que encontrávamos em nossa volta, era utilizado para tentar fazer o máximo de peso na barraca, pois ela chegava a dobrar até o chão de tanto vento que tinha, entramos de volta e tentamos dormir. Vinte minutos de sono e o vento aumentava, agora o barulho era ainda pior, parecia uma grande onda vindo do mar e eu tinha a sensação que ela nos arrastaria, talvez um tsunami? Ou um furacão? Não tínhamos pego nada parecido com isto no mar, estávamos realmente ficando preocupados, fomos de volta lá fora ver como tudo estava, e eu já não agüentava meu corpo no vento, tinha que me agachar para que o vento não me arrastasse, resolvemos pegar mais cordas e tentávamos amarrar a barraca em tudo o que podíamos ver. De volta para dentro e de olhos arregalados pensamos o que poderíamos fazer, nada...tínhamos que esperar a tempestade acabar, tentamos dormir mais um pouco, mais o teto da barraca chegava e encostar nos nossos rostos e eu empurrava ela de volta com meus pés. Resolvemos pegar fio dental e eu tinha comigo agulha de costura, fomos novamente para fora e costuramos ela de um jeito para segurar ainda mais o chapéu da barraca porque se chovesse estaríamos literalmente ferrados. Amanheceu, fiz um café com leite condensado para aquecer e saímos em busca de outro lugar mais protegido do vento para mudarmos a barraca, não tinha. Todo lugar tinha vento e era propriedade privada, cheguei até pensar em entrar pela janela de uma casa, não víamos ninguém na rua para pedirmos ajuda e o vento ainda forte, parecia que trazia chuva. Não deu tempo de chegarmos na barraca antes da chuva, eu olhava para o mar e via mini redemoinhos de vento, assustador. Chegamos de volta e a barraca estava destruída, a lata de leite condensado tinha virado e sujou tudo por dentro, e nós molhados tiramos os canos metálicos e as pedras e começamos a arrastar tudo para a lateral da Igreja foi quando vimos um banheiro que pertencia a Igreja, banheiros limpos, bem amplos e com duchas, não pensamos duas vezes levamos tudo para o banheiro masculino, lavamos tudo nas duchas e penduramos para secar, e tudo que não tinha molhado, por sorte nossos sacos de dormir, levamos para o banheiro feminino, e ali mesmo fizemos uma macarronada pegamos nossos sacos de dormir e capotamos. Foi quando apareceu no banheiro uma senhora que literalmente nos salvou, falou que tinha um quarto na casa e que nós poderíamos ficar lá. Não tinhamos outra opção.
Hoje podemos falar que se não fosse a tal tempestade não teríamos conhecido a Senhora Gilda e o Seu Baltazar, que nos adotaram e nos cederam o quarto que era no piso inferior da casa deles.
Foram dois dias de tempestade dentro da nossa nova casinha, que era muito aconchegante e quentinha, e no terceiro dia abriu o solzão!!! Céu azul, tudo verde e brilhando, andávamos pela vila, parecia que começava uma vida nova naquele lugar, o Seu Baltazar disse que era fim de um inverno rigoroso. Encontramos mais pessoas pelas ruas curtindo o sol, entre eles a Catarina e o Francisco, que estavam numa pousada trancados durante a tempestade. Foram tres dias de paciencia, teria sido mais facil ter ido embora, mais decidimos esperar a tempestade acabar e no final de tudo fomos presenteados com o sol e com os amigos que fizemos, mesmo passando pelas dificuldades foi um aprendizado, e fiquei surpresa comigo mesmo quando percebi que eu tinha mantido o controle total da situacao, sem ter entrado em desespero.
Um dia passava após o outro, e íamos curtindo tudo o que a Fajã podia nos proporcionar, caminhamos para a Fajã dos Cubres, uma trilha linda de uma hora sempre contornando a costa do mar, o Mané surfou e eu tomei banho de Lagoa. Teve um dia que decidimos dar uma volta na Ilha, tínhamos que achar telefone público ou internet, então fizemos a trilha para os Cubres e conhecemos um fotógrafo, o Bruno que naquele momento estava a trabalho tirando fotos da ilha para alguma revista, com sua amiga Raquel que mora na ilha e conhece todos os paraísos daquele lugar. Pedimos a eles uma carona até a vila mais próxima, onde podíamos usar telefone, e acabaram nos convidando para acompanhar eles na expedição fotográfica...nem acreditamos, tínhamos guia turística, fotografo e carro, foi magnífico, almoçamos nós quatro uma comida típica num restaurante bem aconchegante, visitamos cachoeira, vilas, praias...e também a Fajã de São João. Na volta pedimos para eles nos deixarem na entrada da trilha do Topo, a primeira que fizemos quando chegamos, já era tarde e descemos trilha abaixo em uma hora, tentando chegar antes de escurecer, estávamos maravilhados de poder estar ali outra vez, repetindo a trilha mais linda de todas que já fiz.
Chegamos em casa e a Gilda já nos esperava com uma janta maravilhosa, para mim, só a sopa de entrada já estava bom demais, mas acho que ela queria me fazer engordar, teve um dia que ela fez um almoço de frutos do mar...polvo, lapas e ameijôas...tudo de mais típico do local!!
Um outro dia decidimos ir com nossos amigos para Santo Antão, ia ter uma tourada açoriana, alugamos um carro nós quatro e podemos ir a outras vilas da ilha, todas também rurais e charmosas, assistimos a tourada e o Mané inventou de participar, fiquei tensa sentada no muro com medo dos quatro touros que eram bravos por natureza e eram soltos para correr atrás do povo. Um evento tradicional, todos da comunidade iam assistir... crianças, idosos, jovens, não importava a idade, era um evento social que ninguém podia faltar, mas só alguns participavam da brincadeira realmente, enquanto toda a comunidade ficava protegida em algum lugar mais alto onde o touro supostamente não iria. Eu e Catarina ficamos num muro, ele passava embaixo de nossos pés, eu tremia de ver ele, o Mané e o Francisco levaram um corridão, era impossível não rir...Não havia maltrato contra o touro, já está no sangue ele ser assim tão brabo, diferente do que acontece em Florianópolis, onde as pessoas maltratam o touro tentando deixar ele nervoso, coisa que sou totalmente contra.
Voltamos a Fajã de Santo Cristo, mais uma janta da Dona Gilda nos esperava...e assim passamos 12 dias maravilhosos, em meio a natureza e com pessoas mais maravilhosas ainda, que nos ensinaram muito sobre a vida naquele lugar.
Um dia antes de nossa partida, o seu Baltazar nos levou para conhecer o paraiso, como assim? Para mim nos ja estavamos no paraiso, mas ele dizia que ainda existia um lugar mais bonito que aquele, pegou sua mota e comecou a subir a montanha atraves de uma trilha, a mesma que tinhamos feito, mas agora caminho ao contrario. Chegamos no topo, era a sua outra casa e de la se podia ter uma visao geral de toda a Faja, realmente era o paraiso!
Fizemos nossas malas e o Seu Baltazar nos levou de mota para a Fajã dos Cubres para pegar o taxi até o aeroporto, foi uma emocionante despedida com promessas de retornar em breve...chegou o dia de nos encontrarmos com o capitão, em São Miguel.
Eu estava estasiada, sem duvidas uma das experiencias mais marcantes de toda a minha vida, e eu e Mane mais felizes do que nunca!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Chegamos a Portugal











Olá Amigos

Chegamos a Portugal bem, após levar 5 dia e meio entre Ponta Delgada e Portimão.
Nosso plano inicial era chegarmos a Cascais, ao lado de Lisboa.
Infelizmente, no final do segundo dia de travessia, o vento norte que tinhamos na previsão entrou muito mais intenso que o previsto e não nos permitiu ganhar altura (subir rumo norte) suficiente para chegarmos a Cascais.
Acabamos seguindo direto para o Algarve, região ao sul de Portugal, na entrada do Mediterrâneo, aonde ancoramos por uma noite dentro dos molhes de Portimão, depois colocamos o barco na Marina e alugamos um carro para reencontrarmos os amigos de longa data em Cascais.
Acabamos ficando 3 noites na casa do Xino e da Joana, com seus filhos Índia, Becas (Filipa) e Xavier, amigos que considero minha família aqui em Portugal, que eu já não via a 4 anos.
Como já era esperado, a recepção e a alegria do reencontro foi grande, ainda mais por também termos nos encontrado com a Juliana, a Karina e o Lucas, elas amigas de infância de Rafa nos tempos do Coração de Jesus, e ele, uma pessoa de primeiríssima que casou com a Karina e esta fazendo uma Pós-Graduação aqui em Portugal.
O Churrasco correu solto no jogo do Brasil, graças ao contato com um Açougueiro brasileiro, foi só carne de primeira, vinho melhor ainda e muita gelada para ver o 0x0 do BrasilxPortugal.... no final todos saimos ganhando.
A Rafa esta preparando alguns videos do que rolou nos Açores e na travessia.
Um grande abraço a todos
Mané e Rafa

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Zarpando dos Açores para Cascais - Portugal












Olá pessoal

Desculpem nosso desaparecimento, pois estávamos em um local sem internet, por duas semanas, de "férias", curtindo ao máximo os Açores.
Já deveríamos ter escrito algo sobre as mágicas experiências que estamos tendo neste Paraíso na Terra, mas vai ser melhor dar um tempo para a cabeça e o coração entender toda a magia que nos aconteceu por aqui antes de transferir para o papel as experiências vividas... visuais inesquecíveis, ondas perfeitas, comida inigualável, e pessoas ainda mais incríveis...
Estaremos zarpando hoje no fim do dia de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel rumo a Cascais, próximo a Lisboa, pouco menos de 800 NM que esperamos fazer em 5 a 6 dias. A previsão do tempo é favorável e os amigos nos esperando lá para ver o jogo BrasilxPortugal são um incentivo a mais...
Acompanhem nosso deslocamento pelo Spot.
Abraço da dupla.
Manuel e Rafaela

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Travessia entre Bermuda e Açores


Olá pessoal
Chegamos ao Arquipélago dos Açores ao amanhecer do dia 25, e vou tentar passar para vocês como foi a nossa travessia entre Bermuda e Faial (1980 Milhas Náuticas -NM).
Ainda quando estávamos em Cuba recebemos um email do Boss informando que estaria nos Açores no dia 22 de maio. Tínhamos aproximadamente 2 meses para fazer 3 mil milhas náuticas, além da manutenção do veleiro. Pode parecer bastante tempo, mas quando estamos viajando pelo mar, temos que contar com as "janelas" de tempo favoráveis para cada etapa.
Após aquela travessia dura que tivemos em Cuba, o problema sério com a mangueira do sistema refrigeração do motor no meio da noite entre Cuba e a Flórida, uma pizza de Lagosta em Bahamas e quase 20 dias "no seco" fazendo milagres nos mais variados sistema do barco em Fort Lauderdale, nosso tempo estava passando mais rápido do que imaginávamos.
Na primeira oportunidade de tempo bom zarpamos de Fort Lauderdale para Sand Cay, no norte do banco das Bahamas, um lugar lindo mas que não tivemos tempo para curtir, acabamos ficando apenas dois dias por lá, aproveitando a "janela de tempo bom" continuamos até Bermuda. O diário desta travessia esta em um post da Rafa mais antigo.
Em Bermuda também não tivemos muito tempo para "vadiar", tivemos 3 dias de trabalho, brincando de Laboratório de Química para fazer a limpeza da membrana do Watermaker, além do polimento do casco, e mais inúmeros projetos menores que consomem um tempo inacreditável e um dia livre muito bem aproveitado em Horse Shoe Bay que compensou quase todo o tempo gasto trabalhando até então.
Como vocês já devem ter notado, estávamos ficando meio paranóicos com o "Tempo" (do calendário). É incrível como a dedicação ao veleiro é constante. Em 2008, quando fizemos a travessia entre o Panamá e Marquesas, a Rafa ficou abismada como os velejadores passam pouco tempo curtindo os lugares que chegam e muito tempo tentando matar a "To Do List" (lista de projetos no barco) e este ano realmente estávamos sentindo na pele a verdade desta equação. Desde que chegamos a Cuba eu entrei no mar apenas duas vezes, uma em Cuba para limpar o fundo do barco (curti o mergulho, mas era mais um projeto para o barco) e uma em Bahamas, aonde eu e a Rafa finalmente tiramos um tempo para nós e relaxamos na praia por uma tarde. Mais um dia livre em Horse Shoe Bay em Bermuda, mais 3 dias em Orlando, totalizamos menos de cinco dias livres em quase 60 a bordo. Ainda bem que amamos velejar!!!
Mais uma vez chegou uma "janela de tempo" favorável e era hora de zarpar. Saímos ao amanhecer de uma quita feira (dia 13) com bom vento noroeste, favorável, sol e pouca onda.
Os velejadores possuem uma Bíblia, se chama World Cruizing Guide (WCG), escrito por Jimmy Cornell, que expõe as melhores rotas e épocas para as mais variadas travessia pelo mundo. O WCG mostrava que estávamos na época correta para a travessia, e que o mais correto é sair de Bermuda, seguir rumo Norte-Nordeste até 38 a 40 graus Norte, depois seguir rumo leste aproveitando a carona da Gulf Stream (corrente favorável com até dois nós) e depois, mais perto dos Açores, voltar ao 38 graus em que se localiza o Arquipélago. Com isto ganha-se corrente e vento favorável e escapa da alta pressão dos Açores, que cria enormes zonas sem vento que obrigam os velejadores a usarem o "vento de porão", ligarem o motor e acabar com o clima bacana da velejada.
A janela era favorável para os dois primeiros dias, mas quando saímos sabíamos que não poderíamos seguir a rota proposta pelo WCG porque já havia uma frente poderosa saindo da costa norte dos EUA, com ventos de mais de 40 nós e ondas entre 6 e 9 metros, o que nos obrigou a manter a rota quase leste puro, não podendo passar dos 33 graus norte, porque o limite da frente estava nos 34. Os primeiros 3 ou 4 dias mantivemos esta rota, sempre com vento rodando pela popa, entre noroeste e sudoeste, quando muito chegava no sul criando um través de primeira e o barco andando super bem. Por um longo período velejamos por um mar mais "sujo", com muita alga de cor amarelada, era o famoso "Mar de Sargaço", mas depois foi só o azul inexplicável que só as águas com mais de 1000 metros de profundidade conseguem produzir.
Como quando saímos tínhamos a previsão de 5 dias, e a frente tinha se formado a 2 dias, imaginávamos que depois do terceiro dia poderíamos começar a ganhar altura, seguindo um rumo mais direto e fugir da alta dos Açores, mas os Grib Files (arquivos de previsão de tempo que recebemos através do telefone via satélite) que chegaram mostraram que outra frente, mais forte que a primeira vinha bombando ainda mais ao sul, o que não só nos impediu de subir, mas nos fez descer um pouco mais e nos brindou com ventos moderados e ondas de bom tamanho, bem espaçadas e que realmente aumentaram nossa saudade do Surf.
Finalmente, na metade da distância, a frente dissipou e colocamos a proa reta para o Arquipélago, lentamente ganhando grau após grau rumo norte, ajudados pelo vento mais virado para o quadrate sul, vendo a distância diminuir e o frio aumentar.
A rotina a bordo depois de uma semana velejando direto vai ficando cada vez mais preguiçosa, o tempo passava lentamente entre 5 refeições diárias, leituras de livros e revistas, música e filmes. A vida marinha nos primeiros dias não marcou muita presença, mas na segunda metade da viagem veio com força total. Todos os dias e noites éramos escoltados por bandos de Golfinhos, pássaros e incontáveis "Caravelas Portuguesas", aquelas água-vivas com uma bolsa flutuante azul ou roxa que nos apavoram durante o verão com seu tentáculos longos procurando algum peixe.
A umas 800 NM de Faial, nosso destino, o vento começou a morrer. Começou diminuindo de intensidade, antes sempre entre os 15 e 20 nós, depois descendo para 10 a 15, virando para empopada. Armamos o Pau de Spinakker e velejamos um dia em "Asa de Pombo", depois ele rodou para sul novamente e mais uma noite de boa velejada.
No outro dia ele morreu de vez. Mesmo com todo o nosso esforço para ganhar altura e fugir da alta pressão, acabamos em um buraco de vento, o mar achatou, ficou com aspecto de azeite e o motor entrou em ação. Eventualmente entrava algum ventinho e aproveitávmos para dar um descanço para a máquina e curtíamos o prazer das velas cheias mais uma vez.
O tempo seguia lentamente, milha após milha nos apoximávamos do destino, revezando entre ventos fracos e motoradas longas, seguíamos nosso caminho. A vida ficou ainda mais tranquila, mar de azeite, azul, liso, lindo, nenhum barco ou navio nas proximidades por dias. Dava até para esquecer que estávamos em um barco.
No meio de uma tarde assim, tranquila, motor ligado, só a vela mestra içada para manter o equilíbrio do barco, a Rafa dormindo no sofá do salão, eu e o Cameron lendo livros no cockpit e nos revezando em rápidas checagens a cada 10 ou 15 minutos, paz total... de repente sentimos um "clank", a sensação o barco ter passado por um quebra-molas e um barulho de pancada não muito fora do padrão. O Cameron olha para mim e pergunta... What was that? eu espondo... A Wave... mas aí lembro que as ondas vinham de norte-sul e o barco balançou de sul-norte, levantei e fui conferir pensando que podia ser algum lixo de maior tamanho, ele seguiu junto para a popa. Quando cheguei lá, olhei direto para a popa, pois imaginava ver alguma coisa atrás do veleiro... nada... quando eu olho para o lado, uma enorma mancha negra emerge do lado do barco, a distância de "um cuspe" uma enorme baleia brota do nada!!! Olho para o Cameron, ele olhando para a Popa como eu tinha acabado de fazer e falo... Whaleeeeeee!!!!!! Ela sobe lentamente, o tempo passa mais lentamente ainda, ela vira o corpo, olho direto no olho dela, naquela bola preta, ela olhando para mim tipo "quequetutáfazendoaqui?", vira de lado como fazendo corpo mole, mergulha, e eu com as pernas moles do susto. A Rafinha tinha acabado de chegar, não a vê, eu e o Cameron chocados. Ela não entendeu nada, só entende quando a baleia volta à superfície, desta vez mais longe (uns 15 metros) e dá o clássico mergulho colocando seu rabo para cima. Depois de debater o assunto chegamos à conclusão de que não atropelamos a Baleia, ela é que veio nos conferir, pois ela seguia o mesmo rumo e velocidade do veleiro. Talvez por termos a tinta do fundo de cor branca ela possa ter imaginado ter visto a barriga de outra Baleia quando olhou do fundo do mar. Só não entendemos como ela fez contato mesmo quando tínhamos o motor ligado, o que normalmente espanta a vida marinha. Estávamos a 580NM dos Açores.
A menos de 3 dias das Ilhas encontramos um Catamarã em rumo contrário, faziam dias que estávamos sozinhos no mar, fizemos contato, eles vinham da Horta no Faial, iam a Bermuda, exata rota contrária de nós, nos informaram que o tempo nas ilhas finalmente tinha melhorado depois de mais de 20 dias de chuva. Boas notícias!!!
Os últimos dois dias caímos em outro "buraco de vento" e o motor voltou a funcionar. O vento diminuiu tanto que uma noite criou um cenário mágico. Dava para ver a Lua e as estrelas refletidas na superfície do mar. Alucinante!!!
Na última noite, a menos de 100 milhas da Horta, o movimento de barcos aumentou bastante, passamos bem perto de uma luz Strobo indicando um equipamento de pesca, vimos luzes de outros veleiros. Após a janta assistimos o filme Pearl Harbour, não por ser inédito para nós, mas por ser o mais longo a bordo, ajudou a matar a ansiedade em 3 horas. A Rafa foi a primeira a ver as luzes da Ilha do Faial, meia noite e meia. Revezamos os turnos, um mais aguniado que o outro para chegar e quando o sol nasceu estávamos os 3 de prontidão para ver as Ilhas.
As 8:20 da manhã atracamos o barco ao lado de outros 2 veleiros no cais da Aduana da Marina da Horta. Tínhamos chego!!! 12 dias... 12 lindos dias!!!
A Rafa e o Cameron realizadíssimos, eu mais ainda.
A 12 anos atrás estive aqui, na mesma Marina, mas cheguei por avião atrás das raízes do povo que colonizou a Ilha de Santa Catarina e de um Surf Spot lendário o mitológico.
Me apaixonei por estas ilhas e prometi um dia voltar...
A 12 anos atrás nasceu um sonho que mudou a minha vida completamente. Que me levou a assumir caminhos não aceitos como "normais" por muitos, um sonho pessoal, um caminho extremamente longo e mais pessoal ainda que me fez lutar a cada dia para realizar...
Sonhei que um dia chegaria nesta Marina, de veleiro e com a Mulher da minha Vida!!!
12 anos... 12 dias...

Por quanto Tempo você está disposto a lutar pelo seu sonho???
Sim, vale a pena sonhar!!!

Obrigado Meu Deus!!!
Manuel Alves

Tempo vale mais que Dinheiro - Cap. Cameron


And now, time for another installment of Captain Cam's random rambles- there is nothing like 2 weeks alone at sea to give a guy time to think. Love you all:

The best advice I ever got:
I had 2000 dollars saved, and was trying to choose between a surf trip to Bali, and a piece of land on the Big Island (of Hawaii) for which the seller had agreed to take my money as down payment. I called my friend, a gypsy traveler who had made it big in real estate. “If I buy this land now, I will be way ahead of the game when I am older” I reasoned…
“How old are you?” He asked. “20” I said.
“Man…. There are a million ways to make money in the world. GO SURFING”.
Since then, Ive had many amazing years of travel, and living outside the social norm. I have come to the conclusion that far too much emphasis is put on money in today’s world. That the real treasures of life are mostly things that come don’t cost a thing: Freedom, adventures and the TIME to experience them.
Time has much more value than money. Strange then that we trade our time for money, is it not? The error is in the belief that more money will buy one even greater time… But it rarely does. I put it to you that the more you have, the more you are slave to what you have. Just ask my millionaire boss.
Sure, money can buy you a gold plated ipod, a new Beamer, a country club membership, but these are just distractions, aren’t they?
Comfort is not the same as happiness.
We should realize that all dreams have a common thread- time: When I just get enough time, I’m going to… After just one more thousand…
But as Sterling Hayden Once observed: “ To be truly rewarding, a voyage, like a life, must be based on a firm foundation of financial unrest… Which shall it be, bankruptcy of purse, or bankruptcy of spirit?”
As a direct result of my refusing to buy into the normal 9-5 work system, I have had the kind of experiences most people would give their life’s fortune for.
Many people have wondered how I could ‘afford’ to travel all these years- (he must be doing something illegal)… But in response, I ask, “how can you afford to stay at home”? What with the rent, the car payment, the cable T.V. the bag of weed and a twelve pack each week… Heck, Im SAVING money by being a rolling stone, I don’t know how the rest of you do it. Im serious.
But, differences in lifestyle aside, the real gem here is the perspective shift. The focus should never be on the money, but rather the things money could achieve. Once you see clearly that money is just a means to an end, but not the end itself, a whole world of possibility opens up, and a great weight is lifted: Money is only an obstacle, a waypoint, on the path to the real goal. It’s a distraction. The shortest distance between two points is a straight line, and the surest path to your dreams is always a direct one.
I learned early that to make a journey happen, all I really had to do was buy the ticket. Even if I didn’t have the rest of the money, there is magic in decision. Just buy the ticket, and all else will fall into place. I was so sure of this basic principle- a universal secret- that I bought my first boat on credit cards.
Disclaimer: You must have a plan, and not just blind faith. You can’t just run off around the world with no plan to pay it back. But a loose outline and a bit of self discipline is usually all it takes.
I could have taken the long road: Saving money each year until I thought I had enough. But Id still be there, Im quite sure of it. Instead, a bit of work in exotic places like Taiwan, and Fiji, kept me floating until Australia, where I sold the boat and paid my debts.
5 years in the blue Pacific, and not a penny to show for it, but memories to rival the greatest treasure.
So it is with great trepidation that I now find myself invested in a house, and holding down a “real” job. At nearly 40, perhaps I can be forgiven a bit of nesting instinct- the desire to have an even better quality of life. Few would question a man’s God given right to own his own home, right? Even the freest spirits would admit a need for balance- one cannot live on rice and beans forever. Moreover, no one would pity me for my job, sailing around the world and getting paid.
But that is exactly what I am questioning. Do we really need these things? With 6 billion people in the world, are we ALL entitled to our second home in the Hamptons? How many cars is enough? How much money is enough? Isn’t the dream job, still just a job?+
What are our highest intentions? Is it the dream job, or the dream itself?
For me the answer is still time. Freedom and time. Sure, some of life’s greatest rewards come from commitment- relationships, family, even your job… But let us be very clear about the fine balance we must keep.
“In everyday life you will find that your boss, your lover, or your government often try to manipulate you. They propose a “game” in the form of a choice in which one of the alternatives appears definitely preferable. Having chosen this alternative, you are faced with a new game, and very soon you find that your reasonable choices have brought you to something you never wanted: you are trapped. To avoid this, remember that acting a bit erratically may be the best strategy. What you lose by making sub-optimal choices you make up for by keeping greater freedom.” - David Ruelle, Chance and Chaos
Again- you cannot run off around the world with no plan to pay it back. But a little planning goes a long way. The scales are already so greatly imbalanced in ways that will trap you in the system, one must give extra spontaneity to tipping them back. From the mainstream, these kinds of actions- quitting your job, buying a boat, going surfing- may seem erratic, even irresponsible. But from where I am standing, they seem like some of the sanest options available.
I was recently in Cuba, one of the poorest countries, yet with some of the happiest people. Ever notice that often the less people have, the happier they are? Why is that? Perhaps it is true that “Freedom is just another word for ‘nothing left to lose”. Sadly, every Cuban aspires to move to Miami, the asphalt land of the “free”. Meanwhile, most freeway numb people in Miami only dream to feel as alive as a Cuban…
There is a high spiritual price to pay for financial gain, pretty much across the board, yet we all rush headlong into it regardless. We are convinced that we will be the exception. “Not me, Ill be different. Come on lucky number 7!”…
In Cuba I met a French sailor, an anarchist, who believes that the “lack of system is the only viable system”… That accepting pre determined roles and bench marks sets any system up for eventual crash. That making ones own definition of “success” is the only real success , and that once enough people live outside the system, the system will dissolve, peacefully and without fanfare.
And he is right. Don’t hurt anybody, but be yourself. The rest will take care of itself.
Ive got a house and a job, for now, but I will not be a slave to these transient things. This dream job is still just a job, after all. There are million ways to make money in the world. Money is not a good bench-mark for success.
Life is grand and far from over. Im going surfing.