terça-feira, 17 de agosto de 2010

Enquanto isto na Espanha...

BARCELONA
Finalmente eu estava na Europa, lugar onde tanto sonhei estar. Não somente pelo fato de estar num mundo velho cheio de história, e também não somente pela sua arquitetura transbordante, mas sim, pelo simples fato de eu poder caminhar em suas grandes avenidas e em suas pequenas vielas, “sem rumo”, e a cada esquina ir descobrindo um novo mundo.
Depois de tudo o que eu havia passado por mar, mais uma vez eu tinha a prova de que o bom de ter sonhos grandiosos, é que eles podem ser realizados.
O Mané voltou a Portugal, feliz de eu ir realizar meu sonho e eu mais feliz ainda por ele ser o meu grande incentivador, em quanto isto eu recebia a Gabriela, minha grande amiga e parceira que assim como eu tem “sede” de viajar, e agora, estávamos juntas para a realização deste sonho.
Barcelona era o começo da aventura. Há mais de cinco anos atrás, o que eu idealizava era ver ao vivo e a cores o que eu via nas transparências na sala de aula da faculdade de Arquitetura, e agora eu estava frente a frente com os famosos “castelos de areia” de Antonio Gaudi.
Planejamos passar sete dias em Barcelona, onde pudemos conhecer os principais lugares e também desfrutar de certos prazeres, como ir no mercado público “La Boqueria” e provar com calma os mais diferentes tipos de comida e bebida oferecidos ali naquela fantástica exposição alimentícia que mais parece um museu de cores e sabores. Foi aqui que o mundo da degustação se abriu para mim, um dia eram tapas das mais variadas combinações, no outro, petiscos de frutos do mar, ou ainda, jamon no espetinho, entre eles uma cerveja com suco de limão, que por sinal, muito boa a combinação, e para finalizar...impossível finalizar...
Caminhar no bairro Gótico é impressionante...as varandas são amontoadas, distanciadas entre si a menos de um metro, com suas roupas a secar em meio a labirintos mal iluminados, as cores variam de cinza escuro a cinza claro, e isto tudo cria um cenário de filme, realmente impressionante saber como as cidades vão criando formas jamais imaginadas. Nas ruas não passa carros, os prédios romanos construídos com pedras destacam que ali é o lugar mais antigo de Barcelona, e as lojinhas que vendem os lindos artesanatos garantem vida e charme para este bairro que é realmente fantástico.
Caminhar em Barcelona é assim: surpresas a toda hora.
Certo dia pegamos o metro e fomos para o lado norte da cidade conhecer o Parque do Labirinto de Horta, que é o jardim mais antigo de Barcelona. Era ali, que há muito tempo atrás a Corte fazia recepções para a família Real, e o mais divertido deste jardim, é o Labirinto Vegetal, com paredes verdes de até três metros de altura, onde eu e a Gabi tentamos nos perder.
Um espetáculo imperdível: Fountain Montjuic. Depois de um dia absurdamente quente e de grandes caminhadas pela cidade, sentamos nas escadarias de frente para a Fonte, que foi construída em 1929 para uma exposição universal. O sol estava se pondo, e as cores no céu variavam de azul celeste a tons avermelhados, milhares de turistas do mundo todo estavam ali esperando pelo grande show. Enquanto a noite chegava, as águas da grande Fonte dançavam com a música, toda iluminada com raio laser, um espetáculo de cores, difícil de descrever de tão maravilhoso e hipnotizante.
E o que falar das obras do arquiteto espanhol Antonio Gaudi?
Que para mim foi o supra sumo de Barcelona!
De início pensei: mesmo muito louco este Gaudí, criar uma arquitetura tão, tão, tão...especial...diferente...arrojada...inspirante...grandiosa...cheia de detalhes e símbolos...
Foi mesmo destemido!
O que será que ele pensava?
E assim, a medida que começamos a entender o que ele pensava, começamos a se apaixonar ainda mais pelas suas obras. Na arquitetura nada se cria, tudo se copia...pois é...ele copiava a natureza. Tudo na natureza era a sua grande inspiração: uma árvore, um pássaro, as frutas, as ondas do mar, as cores...
Então tudo começava a fazer sentido, podíamos ver a natureza em suas obras, nas formas físicas mas também nas soluções técnicas como o conforto térmico e cálculos estruturais. E de louco ele passou a ser talvez o menos louco.

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VALENCIA E SEVILHA

Pegamos o ônibus às 9h e em quatro horas já estávamos em Valência, a cidade da Espanha conhecida pela sua original Paella e também pelas grandiosas e contemporâneas obras do arquiteto Santiago Calatrava.
O hostel onde ficamos era bem estruturado e super bem localizado, o inconveniente era o quarto sem ar condicionado, estávamos no auge do verão europeu, o calor era sufocante...mas seriam somente duas noites.
Saímos do hostel decididas a assistir a um show de Flamenco, pegamos o mapa da cidade e saímos a procura, estava anoitecendo e cada vez ficava mais difícil de nos localizarmos...as ruelas do centro histórico eram labirintos, andávamos sem medo de nos perder, encantadas pelos milhares de cafés, pubs, lojinhas e bares...que davam todo o charme para a cidade. As luzes artificiais iam se ascendendo, deixando ainda mais bonitas as edificações feitas de pedras, o tom amarelo ouro se destacava, e tudo era lindo de olhar. Encontramos finalmente um pub com apresentação de Flamenco, a entrada dava direito a uma taça de vinho, e bem contentes conseguimos a primeira fileira de frente para o palco. As luzes se apagam, o cantor entra no palco e começa o espetáculo, a música parecia entrar nos ouvidos e tocar a alma, mas quando a dançarina sobe no palco e começa a sapatear no tablado, daí sim que dá um frio na espinha, o som do sapateado invade o ambiente, todos na platéia param de respirar tentando absorver toda a cena, que mistura dança, música e teatro, e que emociona realmente.
O céu estava totalmente azul, dia perfeito para visitar a "Cidade das Artes e das Ciências", que é um complexo cultural e artístico, com obras geniosas do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, que projetou e construiu inúmeras obras por toda a Europa, como pontes, estações, aeroportos, escritórios, hotéis, praças e etc. A cada olhar era um suspiro, as obras se contrastavam com as edificações históricas de ontem à noite, era um mundo a parte, um mundo que também tinha sua beleza. Ali, antigamente passava o rio Túria, ele foi desviado, sendo preenchido por espaços verdes como parques, jardins, quadras esportivas e pela Cidade de Calatrava, ali também morava um senhor, que nos chamou e contou sua história..."Eu morava aqui, numa chácara onde plantávamos de tudo, exatamente onde era a minha casa hoje é o cinema 3D, da cidade das Artes e das Ciências"...ele contava com orgulho, feliz por sua cidade possuir um dos complexos mais modernos do mundo. E nós, mais felizes ainda em poder conhecer o antigo morador do cinema 3D IMAX, onde fizemos questão de assistir um filme e se deliciar com o ar condicionado.
Mais um dia para se perder no centro histórico de Valência, esta cidade que lutou contra os Mouros é mágica, dentre suas edificações mais bonitas estão a Catedral, Torres de Serrano e Torres de Quart...lindas a noite e lindas de dia...especialmente acompanhada de uma paella.
De Valência a Sevilha seriam 9 horas de ônibus,transporte mais econômico entre essas duas cidades, então resolvemos viajar a noite, assim já economizaríamos uma pernoitada em hostel.
Chegamos em Sevilha eram 6h da manhã e seguimos direto para o hostel, deixamos nossas malas na recepção e já caímos na caminhada. A Catedral de Sevilha, considerada uma das maiores do mundo, é linda por fora, e mais maravilhosa por dentro, mal começávamos a conhecer a cidade e já estávamos apaixonadas por ela.
A cada esquina era uma parada para fotografia, esta cidade que é um grande centro multicultural, possui muitas lojas de artesanato, destacando as cerâmicas que além de serem usadas nas fachadas das edificações também são usadas como louças e utensílios.
Sevilha foi por muitos anos a primeira porta de entrada para a Europa, as especiarias vindas das Américas eram ali examinadas, na "Casa de Contratación", então pode-se imaginar o quanto de coisas ali ficou, enriquecendo a cidade. Hoje ela é considerada patrimônio da Humanidade, não somente pela sua riqueza, mas também pela sua arquitetura, arte e cultura.
Acordamos cedo e fomos conhecer o outro lado do Rio Guadalquivir, e encontramos um paredão com casarios coloniais em toda a extensão do rio, charmosos restaurantes e bares, dava vontade de sentar ali e não sair mais de tão aconchegante que era, combinamos de voltar no fim de tarde, onde caminhamos na beira do rio, curtindo a paisagem e a Torre de Oro, que com o sol batendo nela, ficava ainda mais bonita. E assim íamos descobrindo Sevilha, encantadora.
Pegamos o trem, que passa bem no centro da cidade e fomos na Praça da Espanha , que tira o fôlego de tão maravilhosa, as edificações medievais c ontornam uma fonte central, formando uma área bem grande. Ficamos lá por algumas horas e decidimos continuar nossa caminhada para um parque ao lado da praça, que tem muitas edificações históricas, algumas com influencia árabe, muitas árvores centenárias e fontes com esculturas em mármore .
Sevilha parece um cenário de filme medieval, tudo é pitoresco. No lado contrário da Praça da Espanha está o centro comercial, lojinhas, restaurantes e bares, todos reunidos em ruelas bem estreitas, as fachadas dos casarios exibem floreiras recheadas de cores e luminárias antigas, deixando tudo bem charmoso. Estávamos na época das "rebajas", que significa promoção...deixando ainda mais atraente a voltinha pelo centro comercial.
E assim deixamos Sevilha, com vontade de voltar...
Agora partiríamos para Paris !! Na casa do namorado da Gabi, o Jean. Finalmente eu ia conhecê-lo pessoalmente.

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5 comentários:

Fly disse...

Eu tbm!!!
QUE SONHOOO!!! Prima, aproveita MUITO! E vai escrevendo tudo pra não esquecer de nenhum detalhe quando for contar hahaha! Esperamos ansiosos os relatos desse sonho se realizando! :D
Baccio! :D

Karina e Lucas disse...

E eu também!!!!! Beijo enorme aos dois!!!! Ka.

MAMI disse...

Lendo o que você escreveu, de uma forma tão vivenciada, me transportou aos lugares que estavam lá no fundo da memória.
Lembraças lindas e período felizes
Como é bom viajar.........
Você está despertando em mim essa vontade que estava um pouquinho, vamos dizer, guardada não esquecida.
Espero anciosa pelo relato de toda a viajem pela Europa.

Beijos com muitas saudades


as vezes fica

Rachel disse...

Louco sim, por que não? Bobo é aquele que não se permite ser um pouco "louco" as vezes.
Mas com certeza Gênio tbm!
Adorei teu texto de Barça...aproveita muito amiga!
Beijo grande
Rachel

Praieiros disse...

Olá
Vi a reportagem de vcs na revista e depois o blog, é exatamente o q meu marido e eu queremos fazer, acabamos de viajar o Brasil fazendo trilhas de pick-up, e nos apaixonamos por um veleiro em Fernando de Noronha, não conhecemos ninguém que tenha um, só pesquisamos na internet, vcs tem dicas e o caminho das pedras para a gente começar?
Estou seguindo vcs e tbm tenho um blog, dêm uma olhadinha (aukanaii.blogspot) por coincidência tbm sou arquiteta, e agora aventureira..rsrsrs..tenho muitas perguntas se não se importar de responder, como por exemplo sobre, perigos no mar, tempestades, piratas, solidão, vou escrever de vez enquando perguntando, ok...
Atenciosamente
Ana Paula Pazian Olivato, Indaiatuba - SP