terça-feira, 30 de junho de 2009

Histórias do Panamá



















Acordamos eram seis horas da manhã, mais um lugar para se despedir...Golfito, última cidade da Costa Rica. O sol nascia deixando o verde ainda mais verde...o azul ainda mais azul...os morros ao redor pareciam criar um cenário...um cenário único que me deixava confiante para seguir em frente.
Tínhamos sessenta e oito milhas para chegar na próxima ancoragem, em uma ilha no norte do Panamá, a carta náutica mostrava que havia uma boa ancoragem em Isla Parida, então colocamos a proa rumo à ela, tínhamos que chegar antes do anoitecer.
O dia passava tranquilamente, ficamos o tempo todo no deck pegando sol e conversando...circundamos a Ponta Burrica, limite entre os dois países, fisgamos mais um Skip Jack, que acabamos devolvendo ao mar e seguíamos paralelamente à linha da terra, sentindo que a ondulação cada vez mais aumentava e isso deixava o Mané estigado para encontrar onda em Morro Negrito, um lugar bastante frequentado por surfistas do mundo todo.
Avistamos Isla Parida eram seis e meia da tarde, o sol ia se pôr às sete horas...nossos corpos pareciam tentar empurrar o barco, para que ele chegasse a tempo. E sem querer querendo fisgamos mais um peixe, tivemos que aliviar a velocidade do barco para tirar a linha da água e resgatar a nossa janta, não era uma barracuda, nem um dourado, era um Yelow Tuna, que veio em boa hora, pois realmente estávamos com fome.
O sol se pôs e ainda não havíamos entrado na baía, começou a chover e o vento que vinha de proa atrapalhava nossa visão. O Mané ficou na proa para orientar o Cameron que estava no leme e não enxergava nada, e eu fiquei meia nau para fazer a conexão da comunicação entre os dois, apenas conseguindo ver a terra quando algum raio caía e trazia alguma luz em seu clarão. Foi uma gritaria...vira à boreste, vira à bombordo...qual a profundidade...vira tantos graus...olha a pedra...pega a lanterna...e por aí foi...quando conseguimos ancorar seguros e todos molhados da chuva, fui até à proa para ajudar o Mané e ele estava tremendo de frio.
---- Corre pro banho quente !
Jantamos e dormimos abraçados, quando acordamos vimos pela janelinha do quarto que estávamos num paraíso, coloquei biquini e não contei duas vezes, dei um mergulho no mar...tinha uma casa na beira da praia e uma ilha bem pequena em frente, um visual fantástico, a cor da água era um azul que refletia o verde das montanhas, parecia uma ilha deserta e para a nossa surpresa ela não estava deserta...estavam lá outros veleiros, alguns que já conhecíamos como o Kamaya, uma família que estava há 1 ano e meio fazendo a costa do Pacífico, seus filhos se chamam, ele Kay e ela Maya.
Levantamos âncora e seguimos para uma outra ilha, Islas Secas que na verdade era um conjunto de ilhas, entramos no meio delas e eram tantos os caminhos que não sabíamos para onde ir... foi quando avistamos uma praia de areia branca e dois barcos ancorados em frente.
---- Uau !
Foi essa a palavra que saiu da boca, era lindo aquele lugar !
Quando chegamos mais perto vimos que um dos veleiros que estavam ancorados era o Jamming, de um casal que conhecemos na Costa Rica, que nos havia salvo de um encalhe perto de Puerto Jimenez, ao nos aconselhar o caminho correto.
Decidimos passar a noite ali mesmo, ancoramos pegamos o dingue e descemos na praia, o lugar era mais lindo vendo de perto, a água era simplesmente cristalina.
Na manhã seguinte decidimos pegar o dingue e contornar a ilha procurando pontos para mergulho, o dia estava ensolarado, pegamos máscara, snorkel e fomos nos aventurar.
Em torno da ilha não havia praia, somente rochedos altos de cor preta, rocha de origem vulcânica e a água era um azul profundo, diferente daquela aguinha clarinha na beira da praia. O Cameron mergulhou primeiro, enquanto eu e Mané ficamos cuidando do dingue e observando aqueles rochedos com várias cavernas, realmente uma sensação que eu nunca tinha tido...toda aquela natureza...grandiosa e exuberante, incrível!
De repente o Cameron subiu e disse que tinha cinco arraias nadando juntas...falou para mergulharmos rápido...confesso que fiquei um pouco tensa, pensei comigo, com certeza tinha tubarão ali!
Foi um visual fantástico, não vi as arraias mas vi peixes grandes e coloridos, e o que mais me deixou adrenalizada foi ver a continuação dos rochedos no fundo do mar e a água entrando em suas saliências formando bolhas gigantes de água.
Fomos os três mergulhando e usando o dingue como apoio, quando nos demos conta já tínhamos nadado longe, decidimos entrar no dingue e aproveitar mais um pouquinho da praia antes de zarparmos para mais uma ilha.
Almoçamos pasta de atum com torradas e zarpamos para Isla Silva, agora a intenção era encontrar ondas surfáveis, não encontramos...a maré não estava pra onda! Passamos bem pertinho da ilha, só olhando e curtindo o visual, já era fim de tarde e tínhamos que encontrar uma boa baía para passar a noite.
Na carta náutica mostrava um lugar seguro para ancoragem em Morro Negrito, era uma boca de rio que se transformava em uma baía enorme, mais parecia uma lagoa...um estuário...um paraíso! Não existia casa, pueblo...nada...somente pescadores, coqueiros e nós.
Depois da janta, eu e Mané ficamos no deck conversando e observando alguma coisa que aparecia de repente na superfície da água...aparecia e sumia bem rápido, cada um deu seu palpite:
---- Eu acho que é crocodilo!
---- Eu também acho que é crocodilo!
Bom...escutamos muitas pessoas dizerem que existia crocodilo no Panamá, crocodilo de água salgada! Eu não queria acreditar, mas estava vendo! Vendo alguma coisa que parecia olhinhos...de crocodilo.
---- Pera aí! Estou vendo uma tartaruga !
Hehehehe...não sabíamos se era crocodilo ou tartaruga...decidimos não entrar na água para tirar a dúvida.
Hoje acordamos mais tarde, decidimos zarpar para Baía Honda, já fazia cinco dias que estávamos velejando desde de nossa saída de Costa Rica, de repente Baía Honda teria algum pueblo, com internet e mercado para comprar algumas frutas e verduras.
Entramos numa baía em uma ilha em frente à Baia Honda que tinha um barco grande da guarda costeira, ficamos maravilhados com a beleza do lugar...sem dúvida era o lugar mais bonito que já estive, água azul envolto por montanhas com mata nativa...somente o som dos pássaros ecoando...eu queria fiar ali por umas semanas.
Tivemos que sair logo para encontrar um lugar para dormir, entramos em Baía Honda era final de tarde, tinha um pueblo, mas não tinha internet. Este sem dúvida foi o lugar mais isolado do mundo que encontramos, a comunidade vivia em cabanas na beira da lagoa, pescando e cultivando, quase auto suficientes, se não fosse a existência de uma pequena lojinha que vendia alimentos e que era abastecida somente quando vinha um barco da cidade mais próxima uma vez por semana. Quando ancoramos, veio até nós uma família da comunidade local nos oferecer frutas, verduras, peixes e lagosta...era só encomendar que eles iriam pescar e colher na mesma hora, e o mais interessante é que a forma de pagamento poderia ser na base de troca, eles precisavam de roupas, pilhas, calçados...ou qualquer coisa que tínhamos para oferecer. Encomendamos frutas e verduras...o Mane foi até o pueblo com a família pra tentar achar coca cola...achou!!! E ficou super amigo deles...até foi apresentado para o “prefeito” e ao delegado do pueblo. Na manhã seguinte estávamos abastecidos de frutas e prontos para zarpar para Santa Catalina, point do surf !!
Velejamos o dia todo, Mané estava ansioso, sabia que iria encontrar boas ondas, igual ano passado. Ancoramos em frente a uma ilha, pegamos o dingue e fomos achar internet para mandar emails e checar previsão do tempo para a passagem de Punta Mala, uma ponta entre Santa Catalina e Cidade do Panamá, conhecida pelo seu mal tempo e suas fortes correntes, que poderiam atrasar a nossa chegada.
O pueblo de Santa Catalina continuava o mesmo, estivemos aqui há exatamente um ano atrás, achamos um cyber café novo...com pessoas e surfistas do mundo todo. Mané já se informou do surf e viu também na internet que entraria uma ondulação dali a um dia...o sorriso foi na orelha.
Passamos três dias em Santa Catalina...a rotina era surf de manhã e surf final de tarde...eu levava os dois de dingue até o point e voltava para o barco...contava duas horas e meia e voltava para busca-los. Foi bom...assim eu ficava no barco sozinha escrevendo para o blog, editando filmes, escutando música...comendo brigadeiro, fazendo a unha, pegando sol, ou seja...super a vontade ! hehehehe !
No último dia de nossa estadia em Santa Catalina chegam nossos amigos... Kamaya e Jamming, foi ótimo reencontra-los, assim como temos nossos vizinhos de porta, agora tínhamos vizinhos de barco.
Zarpamos para Ilha Cebaco, dormimos uma noite e logo cedo seguimos para a nossa última perna, um pouco mais longa, 160 milhas em um dia e meio, de Cebaco para a Cidade do Panamá, passando por Punta Mala. Pegamos correntes favoráveis, mar agitado com vento forte e conseguimos chegar na data planejada em Panamá City, era fim de uma etapa, a sensação era de conquista...sentimento de felicidade...e palavras de agradecimento!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vídeo 12 - Panamá (parte 1)



Mais um filme, o nosso de número 12, sobre nossa chegada no Panamá e nas maravilhosas ilhas do norte deste país.
Abraço a todos
Mané e Rafinha

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P.S - Nota do amigo colocador dos vídeos no blog: atualizado diretamente do CAFÉ COQUEIRO NORTH SHORE WIRELESS (aberto também às segundas-feiras).

domingo, 21 de junho de 2009

Vídeo 11 - Costa Rica

video

Segue mais um filme editado pela Rafinha, já que eu estou meio devagar nas atualizações do Blog.
Este filme é sobre o que rolou na Costa Rica, esperamos que gostem.
Quem quiser ver em tela cheia clica no título deste Post e assiste pelo YouTube.

Abraço a todos
Mané e Rafinha

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Agora é trabalho, por Rafinha



















Nossa primeira etapa da viagem foi finalizada...chegamos na cidade do Panamá.
Lembro no México...eu imaginava o dia de nossa chegada, dia a dia eu navegava na carta náutica do chartploter, quanta água pela frente!! Milha após milha, incrível foram mais de 2.200 milhas navegadas para chegar até aqui, tantos lugares fantásticos, tantas experiências.
Agora estamos iniciando nossa segunda etapa: fazer uma boa manutenção no veleiro.
Um veleiro deste porte é tirado da água mais ou menos uma vez por ano, e quando isto acontece tem-se que aproveitar o momento e reformar o máximo de coisas que puder, então você imagina como a nossa lista é grande.
Digamos que acabou as férias e agora começa o trabalho, mas só por um momento... porque depois de ele estar todo certinho seguiremos para o Equador, mais umas quinhentas milhas.
Nossa rotina aqui no Panamá tem sido bastante atarefada, na primeira semana fizemos vários orçamentos e contatos com equipes especializadas...depois de tudo resolvido a máquina finalmente conseguiu tirar as toneladas de dentro da água para a terra, dá uma olhada nas fotos. Foi emocionante!
Tivemos que ir para um hotel, nossa caminha não balança mais...mas nós não reclamamos!!!
Esta segunda semana de fato começou com bastante trabalho, enquanto o Mané e o Cameron pegam no pesado eu tento ajudar como posso, auxiliar de serviços gerais...!!! A verdade é que tenho aproveitado o tempo para fazer projetos e alguns trabalhos que me conectam com minha ilha querida.
Como todo trabalhador também se diverte, aproveitamos o final de semana para uma baladinha, um barzinho com uma arquitetura com um mix de antigo e moderno...paredes de pedras...mesas de troncos de madeira e uma galera estileira.
Fomos ao shopping, cinema...e voltinhas ao redor da marina que tem uma área turística com restaurantes e bares.
Bom...as histórias ainda virão...tenho que falar sobre como foi a velejada no Panamá, as ilhas que passamos que foram as mais bonitas que estivemos em toda a viagem.
A verdade é que nosso acesso à internet ficou melhor a partir de agora que estamos no hotel, então não desistam que as histórias virão...!!!

Abraço a todos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Chegamos na Cidade do Panamá

Chegamos hoje no meio da tarde na Cidade do Panamá, aonde estivemos no ano passado, e de onde zarpamos para a travesia do Oceano Pacífico.
Finalizamos aqui a primeira etapa da nossa viagem, mas ainda tem muita aventura pela frente.
Estamos na Marina Flaminco, de primeiro mundo, e deveremos ficar pela Cidade do Panamá por uns 15 a 20 dias preparando o barco e acertando os problemas para poder seguir para o Equador.
Muito bom estar mais uma vez aqui, depois de menos de um ano, em que muita coisa boa aconteceu em nossas vidas.
Mantenham-se atentos que tem muita atualização por vir.
Abraço
Duplaventura

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Costa Rica Pura Vida, por Rafinha


Estamos a mais de um mês velejando, ou seja, morando em uma casa flutuante, nosso endereço é o mar e nosso quintal de casa são as maravilhas que estamos tendo a oportunidade de conhecer. O habitat no meio aquático se tornou um modo de vida, um estilo de viver que significa estar em contato direto com a natureza, e cada vez mais, venho descobrindo em mim que posso ter o mar como meu habitat. Logo de início os hábitos mudam, o sol vem na gaiúta e te acorda bem cedo...a gaiúta se torna um quadro na parede do quarto em que todos os dias a paisagem muda...um dia é uma ilha com grandes árvores, no outro dia a paisagem é uma praia de areia branca com coqueiros...se vendesse este tipo de quadro nas lojas de decoração, seria um sucesso! ... O café da manhã tem que ser reforçado, eu diria que sem ele o dia não começa. Da mesma forma que o barco é nossa casa, é também nosso meio de transporte, então é primordial saber como ele funciona, e graças à paciência do Capitão e também do Mané, hoje eu posso dizer que sei um pouco como ele funciona. Todo dia fazíamos uma espécie de treino...o “Capitão” dizia:
--- Então Capitã, vamos velejar, ligue o motor e decida para onde vamos, se precisar de ajuda nas velas pode pedir !
Desde modo, eu tinha que fazer tudo sozinha, desde ligar os equipamentos, ligar o motor, decidir o rumo, colocar as velas e sair navegando!
As vezes eu ficava alguns minutos pensando antes de fazer alguma coisa, e o Mane era proibido de dizer um “a”, ele tinha que ser mudo, não podia me ajudar em nada!
Foi na prática que funcionou, e também na pressão! Hehehehe
Como tudo na vida deve ter equilíbrio, depois de dois dias velejando já sentíamos vontade de descer em terra, poder conhecer de fato os lugares paradisíacos em que somente víamos de longe. Assim a nossa vida a bordo também incluía voltinhas no pueblo, compras no supermarket, cervejinhas no bar, trilhas na mata, banho de cachoeira, um café no cybercafé...fazer amizade e conhecer a cultura local, e se alguém perguntasse: o que vocês fazem, no que trabalham?
Responderíamos: Atualmente somos “viajantes” !
Sermos viajantes hoje, foi uma decisão na qual não me arrependo, largar emprego, família e minha confortável vida pode parecer difícil, mas a verdade é que encaro esta expedição América Central como uma experiência de vida e estar aqui hoje me dá uma sensação de conquista.
Até agora foram cinco países visitados, difícil de dizer qual o mais bonito, difícil de dizer qual o melhor, cada um com suas singularidades, mas a verdade é que quanto mais ao sul, mais paraísos perdidos.
Costa Rica realmente é fantástica, iniciamos com uma paisagem atípica, montanhas de rochas alaranjadas, sem nenhum tipo de vegetação, parecia um deserto no meio do oceano, o vento intensificou chegando a 32 nós, tivemos que baixar as velas, afim de evitar estragos.
Assim que passamos as tais montanhas alaranjadas, chegamos em um secret point , Olleis Point, boas ondas para surfar, lá só pode chegar pelo mar e já tinha um barco especializado em surf trip, era o sonho do Mane surfar neste local que aparece no filme de surf “ Endless Summer II “. Ancoramos e levamos o Mane até o point, ficamos no dingue eu e Minie tirando fotos, o surf não foi muito longo, mais o suficiente para deixar o Mané com o sorriso na orelha!
Depois seguimos para outro pico de surf, Roca Bruja, lindíssimo..., uma rocha gigante e espetacular no meio da baía, a rocha simplesmente fazia o lugar ser o lugar. Mane e Cameron foram surfar, desta vez fiquei no barco coloquei um som à moda brasileira e curti um momento alone.
No mesmo dia, enfim ancoramos em Playa de Coco, primeira cidade ao norte da Costa Rica, chegamos no exato momento do pôr do sol, deixando ainda mais maravilhoso o lugar. Nossa estadia em Playa de Coco foi movimentada, fizemos a entrada no país, andamos pelo pueblo, fizemos compras e tomamos cerveja num bar com uma turma de havaianos que estavam a bordo de um veleiro de 70 pés, jantamos no restaurante...uhm...o feijão começava a ser um pouco parecido com o nosso brasileiro.
Depois de dois dias zarpamos para Tamarindo, uma cidade que respira surf, surf para principiantes, muito mais mulheres surfando do que homens, entendi o porque tanto o Cameron queria parar nesta cidade. Nossa estadia foi ótima, passamos uma tarde inteira num bar que tinha internet e de frente para o mar, água azul clarinha...aproveitamos muito!
Rumo à Baía Sâmara, e se o mar do México não estava pra peixe, este estava!
Pegamos uma bela barracuda, ia da cabeça aos joelhos do Mane, sério!! Eu não estou brincando!! A noite do sushi estava prometida, ancoramos em baía Sâmara em frente à uma ilha que tinha uma prainha com areia branca, pa ra di si a co !!! Degustando um maravilhoso sushi feito pelo meu maridão !!!
Acordamos cedo, tínhamos muitas milhas para fazer até chegar na próxima baía, então decidimos zarpar com o sol nascendo, pra chegar a tempo em Baía Ballena, antes do sol se pôr.
Inacreditável como existe cada cantinho, cada baía, cada lugar que a gente não faz idéia que existe, dava com tranqüilidade de passar 1 semana em cada lugar destes...em cada um que ancorávamos eu dizia:
---- Não! Este é o mais bonito de todos!!!
E esta frase ia se repentindo baía por baía.
Chegamos em baía Ballena, linnndoooo...dava até pra dizer que estávamos no fim do mundo, pra chegar lá de carro era bem mais difícil do que de barco. Dormimos duas noites, e conhecemos o pueblo, chamado Tambor, que se resumia em uma vila de pescadores com uma vendinha, tinha um telefone público e para a nossa felicidade ele funcionava, conseguimos mandar notícias, que estávamos no fim do mundo, mas estava tudo bem...
Acordamos, tomamos um banho de mar e zarpamos para Isla Tortuga, daí o queixo começou a cair de vez...era realmente de babar de lindo que era, ancoramos na frente da Isla e nadamos até ela. Lá, o queixo caiu no chão, ficamos maravilhados com a beleza do lugar, tinha uma certa estrutura...e muitas pessoas que vinham do continente (Puntarenas) com um barco para passar o domingo.
Tivemos que deixar Islã Tortuga, encontramos uma baía bem protegida para dormir, tivemos uma noite de sonhos e na manhã seguinte zarpamos para Puntarenas.
Puntarenas é uma cidade portuária, não muito agradável, mas um lugar que tinha algum tipo de estrutura, como supermercados e uma marina que nos deu apoio durante três dias. Como já estávamos muitos dias velejando, aproveitamos para fazer a manutenção de alguns equipamentos, usamos internet e deixamos tudo acertado para zarparmos para o sul da Costa Rica.
Saímos de Puntarenas às nove horas da manhã, no pico da maré alta, pois a saída se dava num canal muito estreito e pouco profundo, todo cuidado era pouco, não podíamos encalhar este veleiro gigante.
Zarpamos para Herradura, chegamos ainda era claro, eu Mane pegamos o dingue e fomos conhecer o pueblo, lindoooo...paradisíaco, tomamos uma coca cola e caminhamos na praia, na volta resolvemos entrar com o dingue numa marina chiquérrima que se chama Marina Del Sueños, com este nome não preciso dizer que a marina era alto padrão, tiramos fotos sem ninguém perceber e voltamos rapidinho para nosso veleiro. Na baía estavam ancorados alguns veleiros, e uma coisa que acontece é que quando chegamos numa baía logo outros cruzeiristas de outros veleiros vem com seu dingue cumprimentar e trocar informações, é assim em todos os lugares, assim vai se fazendo amizade e colhendo informações sobre boas ancoragens e comportamento do mar. O interessante é saber da história de cada um, de onde vieram, como compraram o barco, onde já foram...sempre acabamos reencontrando-os em outros lugares e é sempre uma felicidade. Naquela noite veio um senhor de mais ou menos quarenta e cinco anos, ele estava esperando sua esposa que vinha de avião para seguir com ele de veleiro ao norte, o interessante é que ele passou todos os points de surf e ancoragens no sul da Costa Rica.
Dormimos e novamente acordamos bem cedo para zarpar, tínhamos outra perna longa.
O dia era quente, muito quente...chegou umas duas da tarde e o céu começou a ficar cinzento, tínhamos uma tempestade que vinha de proa, tivemos que parar e raciocinar o que faríamos...encarar aquela tempestade não estava no nosso script.
Resolvemos seguir mais um pouco pra ver se o vento iria mudar, pois conforme a direção do vento é que tomaríamos uma decisão. O vento mudou e trazia a tempestade para nós, mudamos de rumo, abrimos mais, afim de escapar dela...mas ela juntou com outra nuvem e começou novamente vir para nós, decidimos seguir para costa, tinha uma baía chamada Dominical onde poderíamos nos proteger. Mas outra nuvem carregada que vinha detrás do morro parou exatamente em cima de Dominical, resolvemos então voltar para Herradura, depois de trinta minutos a nuvem que estava em cima de Dominical começou a se mover para Herradura, exatamente para onde estávamos indo...então mudamos novamente de rumo e seguimos para Dominical, seguros e com o céu inundado de uma combinação de nuvens laranjas e rosas, ancoramos em frente a árvore verde da ilha, conforme o senhor cruzeirista de Herradura da noite passada havia nos instruído, entendemos o porque árvore verde, era uma ilha de rochas e o único verde era a árvore.
Mais um paraíso perdido...Dominical, não podíamos descer em terra, tínhamos que seguir viagem rumo à Puerto Jimenez.
Puerto Jimenez, uma cidade voltada ou turista, várias agências de turismo oferecendo inúmeros passeios, eu e Mané pegamos um táxi e fomos conhecer Cabo Mata Palo, tínhamos passado por ele de veleiro no dia anterior, mas só ficamos babando de longe, imaginando como seria demais pisar naquele paraíso perdido!
E lá estávamos nós, fizemos uma trilha no meio de uma reserva biológica, tomamos banho de cachoeira e conhecemos uma das praias mais lindas que já fomos. Foi realmente um dia especial, depois de tanto mar, foi bom relembrar que o mundo da selva também existe!
Tinha também vez para o surf, fomos para Pavones que é perto de Puerto Jimenez como uma hora velejando, ancoramos e fomos de dingue para o point. O Mane entrou na água e o Cameron achou que estava muito crowd, eu fiquei no dingue com a câmara pronta para as filmagens...realmente era uma onda atrás da outra sem parar, para o meu ver...ondas perfeitas e longas. O Mane conseguiu pegar algumas...achei que seria impossível...a fila era grande, apelidamos de Crowdavones, de tanta gente na água, coisa inacreditável.
Era segunda feira, saímos de Puerto jimenez rumo à Golfito, a última cidade da Costa Rica. Ficamos numa marina bem agradável, o nome era Banana’s Bay e era toda pintada de amarelo banana, no mínimo engraçado.
Usamos internet, fomos ao super, aproveitamos a marina, fizemos a saída do país e deixamos o veleiro todo certinho para seguir rumo à Panamá.
Golfito me encantou, uma cidadezinha bem singular, encrustrada no meio de montanhas verdes, lindas...parecia que estávamos no meio da Costa da Lagoa em Florianópolis, só que os morros eram bem mais altos. Outro lugar para voltar e ficar no mínimo uma semana.
Em Costa Rica todo mundo se cumprimenta:
--- Pura vida!
Só estando aqui para entender o sentido da pura vida!!

Abraços e rumo à Panamá!!

Obs: Feliz Aniversário Papi !! Eu te Amo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Chegamos no Panamá


Fala Pessoal

Acabamos de chegar em Santa Catalina, no Panamá, após passar 4 noites nas mais lindas ancoragens até agora.
Passamos algum tempo pela região de Morro Negrito, mas não conseguimos encontrar ondas por lá pois o Swell estava realmente minúsculo.
Agora estamos mais uma vez em Santa Catalina, local aonde estivemos no ano passado surfando e relaxando antes de fazer a travessia do Oceano Pacífico, e já encontramos alguns amigos que fizemos no ano passado.
A previsão é ficar aqui d 2 a 3 dias, tentando aproveitar uma ondulação que deve chegar por aqui depois de amanhã.
depois devemos ir à Ilha Cebaco, esperar a melhora do tempo pois também temos um vento bastante forte pevisto por aqui, e depois iremos a Cebaco, depois cruzaremos a Punta Mala e finalmente estaremos com nossa proa direcionada para Cidae do Panamá, aonde deveremos estar chegando até dia 11.
Mais uma vez pedimos desculpas pela falta de histórias da Costa Rica, mas por incrível que pareça, o tempo para escrever realmente é curto.
O panamá está sendo realmente generoso conosco, mergulhamos em águas maravilhosas, fndos de corais, ancoramos em baías deslumbrantes, fomos acompanhados por golfinhos e hoje pela manhã vimos uma baleia nadando calmamente ao lado do veleiro.
Assim que chegarmos na Cidade do Panamá poderemos dar mais notícias.
Abraço a todos
Duplaventura