quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um ano de Brava

No dia 01 de setembro completamos um ano a bordo do nosso veleiro, o Brava.
Nesta data, no ano passado saimos pela primeira vez da Sympson Lagoon, a lagoa de Sint Maarten, com rumo a Antigua e demais ilhas do Caribe, tentando fugir da area de ocorrencia de Furacoes no Caribe.
Nossa vida a bordo comecou bem antes... talvez tenha comecado na metade de janeiro, quando achamos o Brava a venda pela internet, ou talvez no fim de marco, quando eu assinei o contrato de compra e venda, ou ainda na metade de abril, quando terminamos de pagar o Brava e comecamos a morar a bordo. O Veleiro se tornou oficialmente Brava no dia 09 der agosto de 2011, quando ganhou seu registro em St. Maartin e tornou-se legalmente o Brava.
Mas, para nos, a data acaba sendo mesmo dia 01 de setembro, quando literalmente levantamos a ancora e comecamos nossas viagens.
Um ano, nove paises, 2.500 milhas nauticas velejadas, 350 horas de motor, inumeros novos amigos e incontavies aprendizados.
Um ano aprendendo a viver a bordo, a conhecer os sistemas, a entender o Brava, a aceita-lo e a ser aceito por ele.
Hoje, podemos dizer que estamos realmente vivendo o sonho e vivendo do sonho.
Para quem ainda nao teve a oportunidade ou a curiosidade de dar uma passeada aqui pelo Blog e conhecer um pouco do que aconteceu neste ano, aqui vai uma breve retrospectiva.
Saimos de St. Martin, eu, a Rafa e o Dani, amigo e parceiro de velejadas ai de Floripa, que tambem comprou seu veleiro em St. Maartin (o Mema), rumo a Antigua. Velejada muito agradavel, ja deu para sentir como o Brava gosta de velejar. Chegamos em Antigua, deu para fazer uns mergulhos em um naufragio, comprar duas correias para o alternador e seguir em frente. O Dani voltou a St. Maartin. A partir de Antigua seria so nos 3... eu, a Rafa e o Brava. Sem pensar muito seguimos rumo a Guadalupe.  Acabamos nao parando em Guadalupe, seguindo ate Dominica. Nosso destino inicial seria as Ilhas de Les Saints, mas acabamos aproveitando as boas condicoes e continuamos mais 20 NM ao sul, ate Dominica.  Por mais que a vontade de parar e curitr as Ilhas fosse enorme, nao tinhamos esta possibilidade, estavamos no auge da temporada de furacoes e tinhamos que aproveitar ao maximo as janelas de tempo favoravel para fugir da area de ocorrencia deste pesadelo. Em Dominica paramos com a ideia de passar uns 2 dias, descansar, conhecer um pouco a Ilha e conferir a localizacao de uma Tempestade Tropical que se aproximava do Caribe. A ultima previsao que tinhamos mostrava uma rota bem mais ao norte de nossa posicao atual, mas quando abrimos a internet, uma surpresa bem desagradavel nos esperava... A Tempestade Tropical Maria iria passar exatamente em cima de nos. Alugamos uma poita, desci as duas ancoras do Brava, amarrei a popa em mais outra poita e alugamos uma casinha de frente para o mar para esperar a coisa ruim passar vendo tudo de camarote. Ainda enquanto estavamos nos ultimos preparativos a bordo, a frente da coisa ruim chegou, com ventos acima dos 45 nos. Felizmente Maria passou um pouco mais ao norte, exatamente sobre Les Saints (Deus protege os abobados) e os ventos foram amenos em Dominica, o mais impressionante foi a quantidade de chuva que presenciamos. Tinhamos que continuar...Martinica era nosso novo destino. Acabamos parando apenas para dormir, ja havia outra Tempestade Tropical a caminho e tinhamos que seguir ao sul, eu so estaria mais tranquilo quando chegassemos em St. Lucia ou St. Vincent. Mais uma velejada com bastante vento variavel e chegamos em St. Lucia. La deu para pararmos um pouco, descansarmos como tem que ser e conhecer a Ilha. Aproveitamos para dar uma geral no Brava, acertar os detalhes pendentes que so foi possivel conhecer velejando. Nossa proxima travessia seria a mais longa ate entao... cerca de 700 milhas nauticas entre St. Lucia e Curacao... foi uma semana de sonho, em que realmente nos sentimos em um sonho... foram anos sonhando, aprendendo, se dedicando de corpo e alma para estarmos ali vivendo aqueles dias especiais.
Levamos 6 dias na travessia, 6 longos e maravilhosos dias. Se por um lado nao tinhamos mais a pressao dos Furacoes, eu tinha a enorme pressao de estar testando plenamente todas as reformas que tinhamos feito no Brava desde que o compramos. A Rafa esteve presente em todas as etapas, sempre ajudando efetivamente e me apoiando em minhas decisoes em todas as etapas da reforma, mas se algo desse errado, se tivessemos alguma falha estrutural, mecanica, etc, eu me sentiria culpado e seria o responsavel pelo nosso problema.
Passamos meu aniversario de 34 anos a 200 milhas de Curacao, eu nao posso imaginar um lugar e companias mais especiais para uma data asssim... estava com a mulher que eu amo, no barco que virou nossa casa e parceiro, no meio do mar, realizando um sonho de anos... Obrigado Meu Deus!!!
Demos o bordo pelo sul de Bonaire, deu vontade de parar, mas tinhamos que seguir ate Curacao, aonde iriamos receber a Daiane e o Gabriel, nossos primeiros visitantes, para entao retornarmos a Bonaire e mergulhar em suas aguas transparentes. A 4 milhas de Curacao, levamos nosso primeiro susto de verdade a bordo do Brava, do nada senti que o barco estava se comportando de forma estranha e quando fui conferir o leme, vi que nao tinha resposta... o Brava estava sem governo... Rapidamente pegamos o leme de emergencia, a Rafa ficou timoneando e eu consegui encontrar e solucionar o problema em tempo recorde... incrivel como em momentos assim o tempo parece passar em camera lenta e os pensamentos fluem de forma coerente. Ficamos cerca de 2 meses em Curacao, passamos uma semana em Bonaire, recebemos meu pai e meu irmao Matheus, nor reencontramos com nosso amigo e Capitao do Morning Calm (veleiro que trabalhamos por 2 anos), o Cameron, que tambem tinha comprado seu sonhado Catamaran e de Curacao seguimos rumo a San Blas, no Panama.
A travessia entre Curacao e San Blas seria ainda mais longa que a entre St. Lucia e Curacao. Os dois primeiros dias foram de sonho, condicoes perfeitas de velejo. Os outros dois dias foram o oposto... foi a pior condicao que pegamos em mais de 20 mil milhas navegadas... foram 50 horas com ventos sempre acima dos 35 nos, chuva, raios e ondas bem grandes com mar cruzado. O incrivel eh que foi a oportunidade perfeita de conhecer todas as qualidades do Brava em uma condicao ruim como esta. Se nos estavamos apreensivos, ele estava adorando a brincadeira... manteve sempre velocidade entre 7 e 8 nos, surfando as ondas acima dos 12... coisa mais linda do mundo... se no cockpit o mundo parecia que estava desabando, dentro dele a sensacao era totalmente diferente... silencio, conforto, Paz... Ali tive a certeza absoluta de que tinhamos sido abencoados em ter sido escolhidos por um barco tao especial assim...
Depois o vento literalmente sumiu... para completar a brincadeira a caixa de cambio resolveu parar de funcionar... sem vento e sem motor, passamos uma noite totalmente a deriva, nos movendo apenas com a corrente. Como estavamos no meio do nada, baixamos as velas, ligamos as luzes do mastro e fomos dormir. Muito louca a sensacao de estar flutuando no meio do nada, em um mar de azeite, em uma noite sem lua e bastante estrelada.
Felizmente o vento voltou e conseguimos nos aproximar do nosso destino, San Blas, 365 ilhas paradisiacas localizadas entre a Colombia e o Panama. No amanhecer do setimo dia de travessia estavamos a 8 milhas de San Blas, minha alegria nao era pouca, porque sabia que para navegar entre as ilhas e seus incontaveis recifes de corais sem o motor, seria bom chegar bem cedo para aproveitar o sol do meio dia para achar o caminho entre os corais e ancorar em seguranca. Quando estavamos a 5 milhas aparece do nada uma nuvem preta, daquelas de foto que impressionam e a unica solucao foi colocar a proa para alto mar. A chuva desabou, com bastante vento e acabamos conseguindo entrar em San Blas so no fim do dia, com o dingue amarrado na lateral do Brava e seu motor nos ajudando a nos movimentar em mais uma tarde quase sem vento.
San Blas foi alucinante. La reencontramos o Cameron, comemos as primeiras lagostas do Panama, mergulhamos, descansamos e nos preparamos para seguir. Nosso destino era Bocas del Toro, cerca de 230 milhas a oeste. Programamos uma parada em Ilha Grande, 40 milhas de San Blas para la esperarmos uma janela de tempo favoravel para velejar a Bocas, ja que sabia que seria uma velejada contra a corrente.
Levamos quase 3 dias para fazer as 40 milhas, normalmente levaria 8 horas. Foi decepcionante acordar e descobrir que estavamos no mesmo lugar que acordamos ontem, velejavamos lentamente durante o dia, e a noite, o vento morria e a corrente nos levava de volta. Mais uma licao aprendida... Paciencia nunca eh demais.
Chegamos em Isla Grande, reencontramos o Cameron que saiu um dia depois de nos de San Blas e chegou um dia antes am Isla Grande e esperamos uma previsao favoravel para seguir em frente. A previsao nunca veio, mudamos de ancoragem para uma bem proxima, em Puerto Lindo e aprendemos mais uma licao, talvez a mais importante ate entao.
Nesta ancoragem, que nunca tinhamos ouvido falar, encontramos um lugar paradisiaco... excelentes pontos de mergulho, ondas perfeitas sem ninguem surfando, povo local simples e amigavel, e uma comunidade de velejadores extremamente receptiva. A licao: As vezes a falta de planos pode ser o melhor plano!!!
Dezembro chegou e nao tinha como seguir a Bocas sem boa previsao de vento, nao tinhamos tempo suficiente para consertar a caixa de cambio sem gastar um rio de dinheiro. Solucao... Colocar o Brava em muma poita na Panamarina e voltar ao Brasil para a temporada de verao.
Retornamos ao Brava em marco, acabei consertando eu mesmo a caixa de cambio, salvando uma enorme quantidade de dinheiro, e oficializamos Puerto Lindo como nossa "casa" no Panama. Mas nao estamos em um veleiro para ficarmos parados em um so lugar.
Em maio ajudamos o Cameron a atravessar o Canal do Panama com seu Catamara, ele seguiu rumo as Marquesas e Polinesia Francesa, pela mesma rota que fizemos em 2008, e nos, em junho, seguimos a Bocas del Toro.
La recebemos minha amiga de infancia, a Andy e a Ro, depois meu primo Eduardo e o casal Jane e Celio, meus cumpadres Pri e Ricardinho e meu querido aluno da Escola de Surf Primeiras Ondas Pietro e seu amigo Octavio.
La tambem encontramos outros velejadores brasileiros, nosso amigo File, Fernando Passow do Veleiro Free Spirit, o Fabiano, do veleiro Nemo.
Bocas foi muito bacana, pois alem de receber nossos amigos e familiares, fazer novos amigos, tambem deu para mergulhar um monte, fazer muita pesca submarina, conhecer inumeras novas ancoragens, surfar altas ondas e comer lagosta ate dizer chega.
De Bocas, voltamos para Puerto Lindo, mais uma vez eu e a Rafa e o Brava... ela seguiu para o Brasil para o casamento do irmao dela e eu fiquei aqui trabalhando no Brava.
Um ano bem vivido, com certeza... o primeiro de muitos, se Deus quiser!!!
Obrigado a todos que tem nos acompanhado em nossas aventuras.
Abracao
Mane e Rafa
S.V Brava
Duplaventura


terça-feira, 3 de julho de 2012

Visita do Du, Jane e Célio. Welcome to Bocas Del Toro - Panamá

Não precisamos escrever muito, o vídeo por si só, já fala o quão foi divertido a estadia do Du (primo do Mané), Célio e Jane, a bordo do Brava. A tripulação se adaptou rapidinho a este grande mundo que é viver a bordo, e pode aproveitar o que a natureza deste lugar tem a oferecer.
Du, Célio e Jane, obrigado por experiementar um pouquinho do que nós vivemos aqui, vocês fazem parte do Brava, e ele sempre estará de portas abertas.

Um beijo grande,
Rafa e Mané

http://www.youtube.com/watch?v=HyzcOGhd754&feature=youtu.be

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Travessia do Canal do Panamá

Vale a pena deixar registrado aqui, a nossa passagem pelo Canal do Panamá.
Em 2008, quando estivemos pela primeira vez no Panamá, visitamos o Museu e a Eclusa de Mira Flores, acompanhamos a travessia de um navio pela eclusa e não pudemos deixar de ficar admirados pela grandiosidade da obra. Realmente a obra é de uma engenhosidade de tirar o fôlego, sem contar que é uma das mais importantes obras do mundo, liga o oceano Atlântico com o oceano Pacífico, ou seja, é o umbigo da economia mundial.
Desta vez, em 2012, tivemos a oportunidade de fazer toda a travessia pelo canal, passando pelas seis eclusas, a bordo do catamarã Arcola, veleiro do nosso grande amigo Cameron. Para nós foi imenso prazer, ajudá-lo a realizar o seu grande sonho: finalmente chegar no Oceano Pacífico, em seu próprio veleiro, agora batizado de Malia.
Iniciamos a travessia a noite. Estávamos em seis tripulantes, eu, Mané, Cibele e Cash, que fazíamos o trabalho com os cabos, o pai do Cameron, como cozinheiro e o Cam no timão.
Entramos no canal atrás de um panamax (navio com a máxima largura para passar no canal), era noite e chovia, as luzes artificiais amareladas parecia criar um cenário, não pude deixar de sentir alguma adrenalina, pois as paredes do canal eram realmente muito altas, o motor do navio criava um correnteza muito forte e eu tinha ali uma responsabilidade, um trabalho a fazer. Me sentia um nada dentro daquela obra engenhosa e ao mesmo tempo orgulhosa.
Depois da passagem das três eclusas, chegamos no Lagoon, dormimos e no dia seguinte continuamos viagem. Faltavam agora as últimas três eclusas, desta vez nos juntamos a mais outros dois veleiros, lado a lado, e fizemos a travessia como se fôssemos uma única grande embarcação. Era dia e não chovia, a novidade da primeira passagem já tinha passado, então tudo ficou mais tranquilo e fácil. Estávamos agora ali, na eclusa de Mira Flores, não no seu terraço como turistas e sim como personagens deste grande momento, que é atravessar de um oceano para outro através de um obra feita a 100 anos atrás, por milhares de pessoas que deram sua vida para que esta obra finalizasse.
Foi ainda mais emocionante, quando avistamos a Ponte de Las Americas, a ponte que liga dois continentes a América do Norte com a América do Sul. Passamos por baixo dela e finalmente estávamos do oceano Pacífico.
Imagine quando for a vez do Brava?


















sexta-feira, 1 de junho de 2012

Chegando a Bocas del Toro


Video da Duplaventura chegando a Bocas del Toro, depois de ter passado quase 6 meses em Puerto Lindo, consertando a caixa de cambio, fazendo amigos e vivendo uma vida de sonho...
Agora mais um capitulo se inicia....
Bocas del Toro!!!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Puerto Lindo - Panamá

Já era hora de voltar, deixamos Floripa rumo ao Brava, rumo á Panamá.

Conseguimos chegar na Panamarina depois de vários taxís e vários ônibus, atravessamos para o lado do Atlântico e quando chegamos, depois de algumas horas de viagem num calorão quase que insuportável, lembramos que valia a pena tudo isto, estávamos num paraíso a bordo do Brava. E então recomeçamos nossa vida, mais um ano cheio de lugares a conhecer, pessoas e experiências, que viriam nos dias a seguir.

Nosso objetivo neste momento era consertar a caixa de marcha do motor, mas não podíamos fechar os olhos para a beleza do lugar em que estávamos e então decidimos fazer tudo com calma, aproveitando cada etapa. As peças para o conserto já havia sido pedidas, vinham dos EUA, restava apenas esperar chegar.

A cada dia era uma surpresa, novos pontos de mergulho com água totalmente cristalina e fundo de coral, eram descobertos. Ilhas pequenas de areia branca e coqueiros estavam próximas, era só pegar o dingue e em 10 ou 15 minutos já estávamos nelas. Passagens secretas dentro do mangue, prainhas e mais prainhas que contornam a costa, pontos de surf em vários locais, macacos, bicho preguiça...tudo isso nos deixava babando pelo lugar, parecia que podíamos ficar por mais um bom tempo aqui. A estrutura não é boa, é difícil ir ao supermercado, cerca de 1 hora de ônibus, não existe nenhum tipo de comércio, somente vilareijos de pescadores. Eu diria que estamos no fim do mundo, mas isso não quer dizer que seja pior ou melhor, é somente uma nova experiência e outras coisas passam a ser valorizadas comparadas quando se têm as facilidades de estar num lugar totalmente equipado. A certeza aqui é que a natureza passa a ser a cereja do bolo.

Isla Mamey, Isla Grande, Isla Linton, Isla Palina, Puerto Lindo, Vila Cacique e Puerto Belo são lugares que atualmente frequentamos, todos ao redor do Brava.

Aí em baixo é Isla Mamey, bem famosa entre o rol dos pontos turísticos do Panamá. E depois um vídeo com fotos que mostram o que a gente tem vivido por aqui.





video

sábado, 7 de abril de 2012

Enquanto isso...em Floripa!

Floripa!

Família, Amigos, Praia Brava, Escola de Surf Primeiras Ondas, Festas...Trabalho.

Nosso Porto Seguro!

Lagoa do Peri e Praia da Armação - Florianópolis


Natal e família em casa !


Amigas na praia Brava e a escolinha no fundo.


Aquecimento no costão direito da praia Brava.


Nossa aluna - Alice de cinco anos.


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Voo na praia Brava com a PARAGLIDER ESPORT
falar com Amir 9972 7979

San Blás e Purto Lindo - Panamá

San Blás nos acolheu da melhor forma possível, depois de uma travessia difícil, fomos presenteados com mar tranqüilo e cristalino, fundo de coral com lagostas e peixinhos coloridos. Ancoramos em Holand Cays, em volta somente ilhas de areia brancas e coqueiros, propriendade dos Kunas Yala, população indígena local que se mantém da pesca e alguma agricultura. Moram em ocas, dormem em redes, não tem luz elétrica e colhem água da chuva. Se deslocam nas antigas canoas feitas de um único tronco de árvore, produzem artesanato, as Molas, que são comercializados por eles próprios, se vestem com roupas típicas e sua sociedade é matriarcal. O Vitor é o chefe de Holand Cays, um senhor muito gente boa que recebe os cruzeiristas dando informações gerais sobre as ilhas. É cobrado 10 dólares pela ancoragem, por trinta dias. San Blás não tem mercadinho, internet, telefone...somente ilhas paradisíacas, iguais as do seu sonho, um lugar que parou no tempo, um lugar que existe de verdade.

Encontramos com o Cameron , ele tinha saído de Curaçao cerca de uma semana antes de nós, passou em Aruba para pegar a Cibele que chegou de avião e foram os dois a caminho de San Blás, nosso ponto de encontro. Depois de uma semana já em San Blás é que fomos encontrar com eles, foi aquela festa...conseguimos enfim, estar juntos curtindo (não mais trabalhando no Morning Calm) em algum lugar paradisíaco do planeta Terra, ou melhor...planeta Água.

Fomos ancorar em Coco Bandero, outro conjunto de ilhas e lá passamos dias maravilhosos, fazendo pic nic nas praias, mergulhando, fazendo jantares, conversando sobre a vida e os futuros planos.

Futuro plano: tínhamos que zarpar, sem a caixa de marcha...próximo parada seria Isla Grande, ou Porto Belo, precisávamos agora resolver o problema do motor, Bocas Del Toro ficaria para depois. O que levaria um dia, levamos três para chegas em Isla Grande, sem vento e sem motor, tudo o que andávamos durante o dia, a corrente nos trazia de volta durante a noite, onde o vento parava totalmente. A deriva, que sensação horrível, ver a terra e não poder chegar nela...e num belo fim de trade, no últimos raio de sol (para variar) conseguimos ancorar em Puerto Lindo, nenhum dos lugares planejados, mais uma vez provamos que o mar é quem manda, deixa ele me levar...

Resolvemos ficar então por aqui, já estávamos entrando em dezembro...hora de voltar pra Floripa, não dava tempo de resolver o problema do motor, precisávamos de peças novas, que ainda viriam dos EUA, voltei ao Brasil dia oito, afim de arrumar nossa casa para o natal, e o Mané ficou até dia vinte e três, colocou o Brava na Panamarina e ainda conseguiu ajeita-lo para ficar sem nós por dois meses. Foi emocionante quando deixei o Brava, passou um filme de tudo o que já tínhamos passado com ele, era como se eu estivesse deixando um filho, hehe.

Mamãe já volta!

Ancoragem em Puerto Lindo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Travessia Curaçao - Panamá

Tudo pronto, ou melhor, quase tudo!

Um probleminha no alternador, nada muito complicado, mas ás vezes uma pequena coisa acaba levando mais tempo do que imaginávamos.

Bujão de gás cheio, água no tanque, água nas bambonas de reserva, combustível até a boca, muita comida e finalmente o alternador zero bala. Tudo pronto para zarparmos para o Panamá. Despedidas, festas e aquele aperto no coração, por deixar Curaçao e os amigos e também pela travessia que nos esperava, sabíamos que seria longa.

Deixamos Curaçao num fim de tarde, costeando todas aquelas praias e bares que estivemos , a lua apareceu tão linda, num fim de tarde avermelhado, tudo perfeito. Aproveitei a boa condição de mar para fazer bolos e pães... pic nic na proa.

No dia seguinte a tarde já estávamos passando Aruba, decidimos não parar e seguir adiante.

Sabíamos que dali pra frente podíamos enfrentar mal tempo, muitos amigos velejadores nos alertaram sobre ondas grandes e ventos fortes. Passaríamos por uma ponta elegida pelos cruzeiristas como uma travessia que está entre as cinco mais complicadas.

Estávamos indo muito bem, quando olhamos no horizonte uma nuvem preta, não conseguimos desviar e pegamos nossa primeira frente. A nuvem nos alcançou com rajada de 32 nós, o tempo de ela chegar, passar e de ir embora foi tão rápido e tenso que não podemos descrever muito bem, só lembro que agüentamos o Brava firme para aproar ao vento, adernou muito, dando a sensação que iria virar, foi um susto, mas logo passou.

Seguimos viagem, fomos percebendo que o tempo ia piorando e a ondulação aumentando, já estávamos na altura de Santa Marta, não avistávamos nenhum navio ou embarcação, estávamos no meio de espumas brancas já começando a rezar para o tempo melhorar.

Não melhorava, piorou ainda mais, a ondulação agora era realmente grande, tínhamos que velejar negociando com elas e o vento não dava trégua. Estávamos na dúvida se seria melhor nos proteger em Cartagena, mas a condição de vento e ondas não deixava mudarmos o rumo para a costa. Tínhamos que encarar, avistamos um navio, o Mané fez contato por rádio pedindo a previsão de tempo, ia melhor ainda hoje, então decidimos continuar.

Demorou para melhorar, tivemos que agüentar a situação, estávamos cansados, o Mané mal dormia.

No sexto dia de travessia o tempo melhorou tanto que pegamos uma calmaria, não sabíamos se preferíamos aquela ventania toda ou sem vento nenhum, não sei o que era pior.

E para piorar ainda mais, tivemos um problema na caixa de embreagem, então estávamos sem motor também. Sem vento e sem motor, realmente uma situação para testar o limite de paciência.

A noite o Brava estava praticamente a deriva, ainda bem que estávamos muito longe da terra, só tinha uma coisa a fazer: esperar o vento voltar.

Sétimo dia, conseguimos avistar San Blás, parecia uma miragem, o vento estava fraco, movia o Brava muito lentamente, tudo o que queríamos naquela hora era chegar, chegar naquele paraíso, mas a terra demorava a chegar.

Lembramos de um detalhe, estávamos sem motor, como iríamos ancorar no meio de tanto coral ¿

Decidimos que a única forma seria baixar o dingue, colocar ele ao lado do Brava e rebocar, nosso motor do dingue é de 25 cavalos, força suficiente para levar o Brava que tem 10 toneladas.

Foi realmente muita adrenalina baixar o dingue, colocar o motor exatamente no local certo e amarrar ao lado do Brava, tinha ondas e quase tudo foi pra água, foi realmente um dos momentos mais tensos e difíceis. Quando vimos tudo deu certo, o Brava tava sendo rebocado pelo dingue, não acreditávamos naquilo, uma situação bizarra, depois de tudo o que passamos nesta travessia, mais essa pra finalizar.

O sol estava baixando rápido, precisávamos de luz para ancorarmos seguros dentro de Holand Cays, uma ancoragem entre ilhas e corais, uma paisagem surreal de tão linda, ilhas de areias branca e coqueiros que se inclinavam para o mar azul cristalino.

Parecia mentira, conseguimos chegar, no último raio de sol, estávamos cansados, mas aquela visão fez tudo valer a pena.

Mergulhei é claro, já era noite. Fizemos uma janta de verdade, assistimos um filme e capotamos feito anjos.

Obrigado Meu Deus !


Bonaire

Saímos de Curaçao a Bonaire, era a estréia da Dai e do Gabi velejando no Brava.

Bonaire é considerada o paraíso para mergulho no Caribe, tivemos que ir conferir se realmente esta informação era verdade.

Tivemos uma travessia pouco confortável, o vento contra fez o Brava adernar bastante e levamos mais tempo que o previsto, chegando já era noite. Decidimos não entrar em Bonaire, voltamos e esperamos amanhecer para que nossa entrada fosse segura.

A Dai e o Gabi tiveram uma experiência real de velejada, tivemos que sair da rota de navios, fazer turno e cozinhar sentindo o manejo das ondas fortes que batiam contra o casco. A janta foi comida de guerra, um sopão de macarrão e feijão de lata...típica gororoba feita em dias que é difícil realizar tarefas dentro da cabine. Todos repetiram...o sopão tava aprovado !

Amanheceu, e logo nos ofuscamos com a cor da água, um azul celeste incrivelmente cristalino.

A ilha é totalmente plana, sem montanhas fazendo tudo aquilo parecer uma grande piscina. Não pensamos duas vezes ancoramos e caímos na água.

Fizemos curso de mergulho nós quatro na Body Dive , uma operadora muito séria e com profissionais competentes.

Aproveitamos tudo o que podíamos...mergulhos, passeios no centrinho com direito a sorvete, churrasco no barco com outros amigos que encontramos lá, como a Tati e o Alcides.

Bonaire é lindo mesmo, o mergulho com cilindro foi uma experiência incrível, um mundo de mar que passa embaixo de nós e que nem sempre conseguimos imaginar.

De volta a Curaçao a velejada foi bem mais tranqüila, fizemos uma tábua de frios com cerveja comemorando a travessia com o casal principiantes.

A Dai e o Gabi foram embora de volta ao Brasil e agora começava nossa preparação para mais uma travessia, essa mais longa, previsão de sete dias, atravessando toda a costa da Colômbia com destino: San Blás, o arquipélago paradisíaco perdido nos mares caribenhos do Panamá.


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Curaçao

O melhor de Curaçao foram os amigos.

Conhcemos o Mario e a Paula do Pajé, reecontramos a Tati e o Alcides do Ocean Eyes, o Cameron do Arcola, O Rody, um curaçalenho muito gente boa que nos adotou de verdade, conhecemos brasileiros que trabalhavam num veleiro de luxo espanhol, recebemos amigos do Brasil a Dai e o Gabriel e o pai e irmão do Mané.

Foi realmente uma estadia marcada por amigos e diversão. Curaçao é encantadora, uma ilha holandesa que ainda preserva a arquitetura original, bom demais caminhar pelo centrinho histórico, comprar frutas frescas vindas da Venezuela e se esbaldar nos cosméticos de marcas famosas, lá é barato, livre de imposto.

As praias e mergulhos são incríveis, água cristalina e fundo de coral. O coral está bem intacto e a vida marinha bem diversificada. Anêmonas, lulas, peixes minúsculos daqueles de aquário, peixes gigantes coloridos, moréias...todos juntos num único mergulho. O Rody nos apresentou um mergulho num naufrágio, maravilhoso...depois voltamos com o Mateus e o João (irmão e pai do Mané) que ficaram extasiados de tanta beleza.

Gastamos 2 meses nesta ilha maravilhosa, muito bem gastos por sinal...o país tem toda estrutura para velejadores, uma comunidade gigante que nesta época, entre junho a setembro ainda lota mais, todos em busca de área livre de furacões.

Tem grandes lojas para a manutenção dos veleiros, supermercados e um comércio completo. Encontra-se de tudo e para todos os gostos.

Quando a Dai e o Gabriel chegaram,fizemos um passeio na lancha do nosso amigo Rody. A lancha tinha 3 motores de 350, foi realmente um parque de diversões...aventura pura, nunca tínhamos experimentado tanta velocidade . Gritávamos sem parar a cada vôo nas ondas. Paramos em vários bares de praia, lotados por turistas europeus, parecia Ibiza...música, bebida e ambiente de tirar o chapéu.

Com a visita do João e Mateus pudemos aproveitar o Sea Aquarium, vendo um show com focas e golfinhos, incrível ver estes animais de pertinho e poder interagir com eles. Foi muito bom ter a família a bordo, nos apoiando e incentivando a corrermos atrás de nossos sonhos.

O reencontro com o Cameron foi muito emocionante, desde abril em Saint Maarten já vínhamos combinando este encontro, nós com o nosso veleiro e ele com o dele, um catamarã de 38 pés, o veleiro que ele sonhava.

Sentiremos saudades de Curaçao, foi uma etapa da nossa viagem onde pudemos parar um pouco e respirar, pois desde início do ano vínhamos frenéticamente enfrentando desafios e superando limites...reforma do Brava, furacões, velejar sozinhos pela primeira vez...tudo isso foi um processo delicado, mas que conseguimos finalizar com sucesso, estamos muito orgulhosos e prontos para a próxima !!!

Entrando em Spance Waters

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

De Dominica a Curaçao

Estávamos na alta temporada de furacões no Caribe, mês de setembro. Sabíamos que precisávamos sair daquela área o mais rápido possível, então vínhamos monitorando a previsão do tempo constantemente. Fazíamos pernas de no máximo um dia, de ilha em ilha, correndo contra o tempo, mas sem apavoramento, sempre tentando curtir de alguma forma. Quando chegamos em Dominica nos surpreendemos com a beleza da ilha, com montanhas altas e vegetação abundante, ali passamos ótimos seis dias, fizemos um passeio subindo um rio com canoa e chegamos no cenário onde foi feito as filmagens do filme: Piratas do Caribe. Ali também vivemos a tensão de estar num local onde possivelmente passaria uma tempestade com grandes chances de se transformar em furacão. Então pela primeira vez, deixamos o Brava e fomos passar a noite em terra. Alugamos uma casa de frente para o mar, com vista para o Brava e ali ficamos rezando para que nada de mal acontecesse.

Nada de mal aconteceu, a tal tempestade passou longe e finalmente pudemos continuar a nossa viagem rumo sul.

Santa Lúcia foi nossa próxima ancoragem, uma ilha também paradisíaca, com grandes marinas, shoppings, mercados e lojas. Conseguimos reabastecer o Brava e nos preparar para a que seria a nossa maior travessia, somente eu e o Mané a bordo de nosso veleiro. De Santa Lúcia a Curaçao.

Foram sete dias de travessia, de muita emoção e aprendizagem. Foi realmente uma das experiências mais gratificantes. Tínhamos sonhado muito com este momento, e agora estávamos vivendo o que tínhamos idealizado. Pegamos várias condições de mar, nos permitindo testar o Brava e aprender mais sobre ele. Também testamos nossa vivência a bordo, um tinha que confiar no outro e no fim conseguimos sobreviver a estas novas situações que estávamos encarando.

Faltava algumas horas para chegar em Curaçao, já avistávamos a ilha, o vento estava realmente forte, as vezes chegava a rajadas de 25 nós. A ondulação, a pior possível, vindas de todos os lados fazendo o piloto automático entrar em parafuso, foi quando o Mané se deu conta que estávamos sem leme. Foi tensão total, o Mané tentando concertar o eixo do leme lá embaixo, enquanto eu tentava manter o Brava no rumo utilizando um leme de emergência. Não podíamos acreditar, estávamos numa situação complicada, se não concertássemos o leme, não poderíamos entrar em Curaçao. Eu estava com o coração na boca, pura adrenalina, tinha algumas ilhas de pedra por perto e sem o controle do veleiro podíamos vir a chocar com estas ilhas. Deu certo, o Mané depois de algum tempo concertou o leme e já tínhamos denovo o controle do Brava, chegamos em Curaçao com uma alegria e satisfação tão grande que é difícil descrever, a sensação de chegar é maravilhosa. Foi sim sem dúvidas um grande aprendizado, em todos os fatores. Curaçao nos recebeu de braços abertos e nós de braços abertos para ela.