quarta-feira, 13 de maio de 2009

De Huatulco no México a El Salvador - Por Mané


Como faz algum tempo que nao atualizo meus vídeos, e a viagem continua, vou fazer um breve realto do que rolou nos últimos dias.
O último texto meu foi sobre Puerto Escondido e as enormes ondas que encontramos por lá, entao vou continuar a partir de lá.
Saímos no meio da tarde em direcao a Bahias de Huatulco, aonde deveríamos ficar na Marina Chahue, esperando pela janela de tempo que nos permitisse cruzar o Golfo de Thehuantepec, que realmente era a parte mais complicada de nossa viagem. Neste Golfo, que se localiza na parte mais estreita do México, aonde o Oceano Atlantico e o Pacífico estao mais próximos, nosso medo era estar velejando e ser surpreendidos pelos ventos que nascem no Atlantico e chegam no Pacífico com forca assustadora. Este vento por aqui é conhecido por Thehuantepec, e sao inumeros os relatos de veleiros que tiveram suas velas destruídas e em muitos casos a tripulacao teve que abandonar a embarcacao devido a forca dos ventos que formam ondas enormes em direcao ao oceano, que encontram as ondas que vem do oceano para a praia, formando o que chamamos de "mar cruzado", e condicoes horriveis de velejada. (Ventos de 40 nós e ondas de 30 pés sao comuns por aqui).
Nossa velejada foi bem tranquila até Huatulco, tivemos até mesmo que desacelerar para podermos chegar com o sol nascendo neste balneário turístico do sul do México. A entrada na Marina Chahue foi meio nervosa, devido ao grande calado do nosso barco (3,5 metros com a quilha levantada) e a pouca profundidade do canal, diminuida ainda mais pela proximidade da Lua Cheia, mas chegamos bem.
A Marina era bem acolhedora, sem muita frescura, mas bem segura e com vários barcos esperando a janela para poderem seguir rumo ao sul. Quando chegamos já tinham 6 esperando a mais de uma semana.
Chegamos no domingo, ficamos tranquilos na Marina, arrumando o barco, abastecendo água, relaxando e trabalhando na troca da mangueira do silenciador, que nos deu bastante trabalho, mesmo o Veleiro tendo uma espacosa sala de máquinas, com ar condicionado independente.
Já no domingo iniciamos a análise das previsoes e notamos que teríamos um bom swell chegando na terca. Perfeito, teríamos mais um dia para arrumar o veleiro, conhecer as praias locais e na terca poderíamos ir conhecer uma das melhores dieritas do mundo... Barra de La Cruz. Focamos nossos esforcos no barco na segunda, resolvemos tudo e na terca cedinho pegamos um táxi para Barra de La Cruz. Foram 45 minutos de táxi em uma regiao maravilhosa, cheia de baías, belas praias e ilhas paradisiacas.
Quando chegamos em La Cruz, vimos que a previsao nao tinha errado e realmente as perfeitas direitas estavam funcionando.
Ficamos o dia todo pegando altas ondas, realmente perfeitas, na verdade, maravilhosamente perfeitas. O início da onda me lembrou muito o comeco da onda do Lambe Lambe, com as mesmas pedras dificultando a vida dos que nao as conhecem, mas me deixaram bem a vontade, e como resultado, surfei algumas das melhores ondas da minha vida, bem tranquilo no meio das 10 pessoas que dividiam com gente aquela inesquecivel sessao de Surf.
Saímos amarradoes pela qualidade das ondas, pela temperatura da água, pelo visual do pico, comemos um Mac Fish a Mexicana num restaurante local, conferindo aquelas ondas que nao paravam de quebrar, perfeitas, e retornamos para a Marina Chaheu de cabeca feita.
Mas a viagem tinha que continuar.
Fiz um mapeamento das previsoes das duas costas (do Pacifico e do Atlsntico) e constatamos que t´ríamos uma janela de 4 dias para fazer a travessia. Tempo suficiente, já que o Golfo (a parte perigosa) tinha umas 220 milhas, e até nosso proximo destino teríamos uns 4 dias de velejada.
Zarpamos no iniccio da tarde, um pouco tarde, o que nos obrigou a fazer grande parte da travessia do Golfo de Thehuantepec durante a noite, mas como a previsao prometia, nao encontramos vento algum. Sofremos pela falta de vento, nao pelo seu excesso.
A travessia do Golfo foi bem tranquila, poucos navios, poucos barcos de pesca, muitos golfinhos e uma noite bem estrelada.
Na manha seguinte fui acordado com o Cameron berrando que tínhamos passado por cima de uma Long Line (linha de pesca com milhares de metros e milhares de anzóis), abafamos os panos e antes dele mergulhar chegaram os pescadores donos da linha. Foi tranquilo, safamos o barco tranquilamente e ainda ganhamos um Dourado dos pescadores.
Mas este foi o início do nosso pesadelo com as long lines em frente a costa da Guatemala.
Na tarde atropelamos mais duas, com o Cameron tendo que mergulhar para liberar uma. A noite fiz uma bela janta para a turma e quando estavamos iniciando a ceia, ouvimos um barulho diferente, fui conferir e era a bóia de uma long line. Cortamos a linha e notamos que ela estava cheia de peixe. Aamrramos ela no cunbho da popa e fomos jantar para depois tentar recolher algum peixe e tentar retirar aqueles anzois assassinos do mar, e quando acabamos a janta, notamos que tinhamos outra linha presa na nossa quilha. Tantamos retirar a primeira linha depois de cortar e safar o barco da segunda, mas ela estava tao carregada de peixes que nem a catraca elétrica estava dando conta de recolher. Acabamos tendo que cortar e abandonar a long line sem termos recolhido nenhum peixe, mas conseguimos retirar 19 anzóis e mais de 150 metros de linha do mar.
Nosso problema agora era ter que usar o motor com todas aquelas linhas em baixo do barco, com grande possibilidade de alguma se enrroscar no eixo e poder complicar a situacao. Na metade das noite o vento voltou a morrer e tínhamos que continuar a seguir, discutimos as possibilidades e acabamos ligando o motor, em menos de 2 minutos ouvi um barrulho vindo direto do eixo, berrei para o Cameron que cortou o motor na hora, mas o estrago estava feito. Sabíamos que a linha estava enrolada no eixo, no meio do nada, no meio de uma noite sem lua, escuridao total.
Eu sugeri continuarmos na vela, mesmo nos arrastando a menos de 3 nós e cortar a linha pelo nascer do sol, mas o Cameron avistou um grupo de golfinhos perto do barco e resolveu mergulhar, pois sabia que se tinha golfinho por perto teoricamente nao tinha tubarao.
Totalmente ressabiado o valente capitao resolveu mergulhar, baixei um b¿cabo para ele poder se agarrar se fosse necessário, ele mergulhou e rapidamente confirmou que a Long Line estava no eixo, mais outros 2 mergulhos e ele cortou o cabo, tao apavorado que acabou esfaqueando o proprio pulso. Quando estava quase para retornar a Rafinha, tentando ajudar, jogou outro cabo para ele, que levou um cagasso daqueles, e eu outro, pensando que o berro que ele deu de susto pudesse ter sido devido ao ataque de algum peixe maior. Após ele retornart a bordo, rimos bastante do ocorrido, relaxando o nervosismo de todos. O mais incrível foi o show que os golfinhos que estavam por perto deram após voltarmos a nos movimentar, brilhando maravilhosamente na proa do barco, como o relato do Cameron (em ingles) já contou.
Uma cena que jamais seré esquecida, sem dúvioda alguma. Podiámos ver perfeitamente o contorno dos golfinhos brilhando na escuridao, a menos de um metro da proa dp barco, aonde estavamos sentados babando com aquela cena. Este grupo nos acompanhou por quase dois dias.
Na outrsa manha, mais long lines, que felizmente consehuimos desviar e o vento morreu de vez. O mar ficou tao liso quando se pode imaginar, totalmente espelhado, e os golfinhos deram lugar as tartarugas. Milhares, sem exagero, milhares de tartarugas flutuando ao nosso redor. realmente maravilhoso. Já estávamos chegando no sul da Guatemala, e na noite apareceu mais um problema. Tempestades elétricas rodearam o barco, criando mais uma noite de tencao. Parecia que estavamos em uma tempestade de raios, no meio de um campo de futebol, cmo um guarda chuva de metal aberto sobre nossas cabecas. A única diferenca era que o campo era o Oceano Pacífico e o Guarda-Chuva era nosso mastro que mede 30 metros de altura.
O radar ia mostarndo nuvem de tempestade após nuvem de tempestade, e nós tentando desviar de uma após a outra.... 3 horas de tensao para cada um, deixamos o turno mais tranquilo para a Rafinha, mas mesmo assim ninguem dormiu direito com medo de sermos atingidos. Teve momentos que o radar mostrava 360 graus de nuvens de tempestada ao redor do nosso veleiro, e a única opcao era encontrar a mais branda e tentar passar rezando por baixo dela.
No outro dia, mais um dia tranquilo e bem quente, na noite, vimos que as tempestades elétricas poderiam ficar ainda mais intensas, e tivemos momentos ainda mais apavorantes. OCameron fez o primeiro turno, bastante adrenalizado, e ficou amarradao quando fui liberá-lo e iniciar meu turno. No meu, tentei nao ficar muito preocupado, mas nao durou nem 15 minutos esta minha falsa tranquilidade, quando vi um raio azul, lindo, cair bem na frente da proa, a umas 2 milhas, mas bem em frente, deu para sentir o cheiro de metal queimado no ar, clarao gigante, aí foi rezear muito, tentar acertar a direcao no meio das nuvens e ficar quase 4 horas naquele desespero, pois nao queria ver a Rafinha sozinha naquela situacao.
Acabamos chegando em El Salvador, 520 milhas após Huatulco, no ponto de encontro da panga que nos levaria através de canais de mangue até a Marina Barrilllas no início da manha, e nem pensamos duas vezes, entramos para termos um ou dois dias de descanso.
A estadia em El Salvador foi muito prazeirosa, descansamos bastante, relaxamos na piscina, fizemos compras e conhecemos o mercado local, colorido, rústico, pobre e mal cheiroso, que muito me lembrou algumas cenas marcantes que vivi em Marrocos. Realmente uma experiencia marcante em nossas vidas, para aprendermos o quanto fomos abencoados por nascermos aonde nascemos, em familias tao especiais, em uma vida tao especial.
Depois seguimos para a Nicarágua, mas aí já vai ser outro texto, que já estao me esperando.
Desculpem os erros de portugues, escrevi na correria, em um teclado diferente, mas o que importa é o que rolou, e isto esta escrito ai em cima.
Abracos a Todos
Manuel Alves

3 comentários:

Flavinha disse...

Ai, tô em falta com comentários por aqui (muita correria), mas sempre acompanho e sempre fico maravilhada com os relatos de vcs, sempre ótimos!!!

Adorei que o Cameron resolveu participar, altos texto, que deixou minha vontade de ver golfinhos brilhantes à noite ainda maior! Pode dizer pra ele que adoramos e que ele pode escrever mais vezes hahaha!

Rafinhaa, adorei que teus textos estão mais longos, eee! Assim a gente fica mais tempo viajando com vocês! Muito gostoso!!! E que responsa guiar um veleiro sozinha neh? Nas primeiras vezes deve ser punk, mas imagino como isso deve contribuir pra nossa maturidade, auto-estima e tudo mais. Afinal, se podes velejar "sozinha", mesmo que por algumas horas, podes MUITO! :D

Mané, te lendo entendi o medo de velejar com raios a solta... Putz, apesar de lindo, deve ser muiiita tensão! Nossa! E a foto que botasse no orkut com o mar espelhado? Me deixou de boca aberta! Parece impossível o mar ficar daquele jeito! incrível!

E é um alívio, depois de raios, long lines e etc, saber que a viagem continua abençoada, cheia de praias lindas, paisagens de tirar o fôlego e ondas perfeitas!!!

Que bons ventos os acompanhem, com tudo de melhor pela frente!

Beijão com saudades!
Flá

Surf4ever disse...

Forte relato, irmão!
Sinistro as tempestades!
Abraços, take care of yourselves!
Gustavo

jufontes disse...

Nossa! Que apavorante!
E as tartarugas? Fotografaram? Vi uma no orkut.
Cuidem-se!!
Beijos!